Por
Mauricio Stycer
Se, de fato, “Junto e Misturado” representa a aposta da Globo numa nova geração do humor, estrear o programa às 23h30 de uma sexta-feira parece sinalizar que a confiança nos jovens ainda não é muito grande.
Com a sugestão de um humor menos popular e mais sutil que “Zorra Total” e “Casseta & Planeta”, o que não é difícil de fazer, a turma liderada por Bruno Mazzeo e Fabio Porchat ainda está na Série B do campeonato de comédia global – e dificilmente chegará ao horário nobre com a proposta apresentada na estreia.
Mais falado e cerebral do que físico, o humor de “Junto e Misturado” exige uma atenção difícil de se obter na televisão. Como se os humoristas estivessem num “stand up”, recitando piadas, com a ajuda de imagens ao fundo.
A escolha dos temas do primeiro programa também não ajudou – burocracia, esoterismo e política. Com piadas novas sobre assuntos muito batidos e, de certa forma, superados, o programa estreou com um ar retrô e foi, com frequência, pouco engraçado.
“Junto e Misturado”, enfim, parece querer propor algo novo e ambicioso, o que deve ser sempre estimulado, mas ainda está longe de realizar.
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domingo, 3 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Junto e Misturado
Equipe de caracterização de ’Junto e Misturado’ teve apenas 15 minutos para fazer cada uma das 800 transformações da atração
— Já usei mais de cem perucas. E é tudo muito rápido, porque como cada programa tem três blocos com temas diferentes, são várias personagens e inúmeras roupas — conta Debora Lam, que logo nos primeiros episódios vive uma noiva, uma empregada e uma barata.
Renata Castro Barbosa é outra que emprestou sua estirpe para a fantasia nada atraente do inseto e coleciona os mais variados papeis na série: — Já fui empregada toda arrebentada numa cena e professora de velório em outra na sequência. Fico feia, bonita, nova, velha... O bom é poder se divertir com isso tudo.
Brincadeiras à parte, o programa representou um enorme desafio para o pessoal da produção. À frente da equipe de caracterização, Simone Rosin chegou a montar 40 personagens em um só dia de gravação.
— Nunca trabalhei num programa que exigisse tantos personagens. Tínhamos cerca de 15 minutos para fazer as transformações. Algumas demoravam mais, por terem muitos detalhes, como os avatares, a morte e as baratas — conta Simone, a dona da varinha de condão, que já passou por atrações como “Retrato falado”, “Sexo oposto”, “Minha nada mole vida”, entre outras.
O diretor geral Maurício Farias faz coro com ela:
— “Junto & misturado” tem o maior número de cenas que já fiz em mais de vinte anos de televisão. Sua produção é extremamente complicada de realizar, mas esta variedade é justamente uma de suas grandes qualidades.
— Queria ser o cara engraçado do programa, não o gordinho — conta ele, que aparece até vestido de mulher e pelado em cena: — Vamos rezar para a audiência não cair depois dessa.
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