Mostrando postagens com marcador Casseta e Planeta Urgente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Casseta e Planeta Urgente. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Imitador de 'Dilma' no 'Casseta e Planeta Vai Fundo'


O humorista Gustavo Mendes, famoso por suas imitaçãoes da Presidente Dilma Roussef no site Kibe Loco é o mais novo contratado da Globo.Ele vai integrar o time do novo programa do Casseta e Planeta que estreará na nova programação da emissora em Abril.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Dia e o Horário de 'Casseta e Planeta Vai Fundo'


A volta da turma do Casseta e Planeta, que trocou o 'Urgente' por 'Vai Fundo' no título já tem data marcada para estrear:dia 13 de Abril, Sexta, depois do Globo Repórter com aproximadamente 14 episódios.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Maria do BBB 11 é a nova 'Casseta'

Maria Melilo, vencedora do "BBB11", deve substituir Maria Paula na nova versão do humorístico "Casseta & Planeta", que ensaia sua volta à Globo em abril do ano que vem.


A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta segunda-feira (19).
Apesar de a nova integrante do grupo estar sendo mantida em sigilo, a moça seguirá a linha "bonita com limitações intelectuais", que consagrou uma outra ex-BBB, Sabrina Sato, um dos grandes sucessos do "Pânico", da Rede TV.


Outro Canal/Folha

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Novo Programa do 'Casseta e Planeta'

O novo “Casseta & Planeta”, que estreia na Globo em abril de 2012, será muito diferente das edições anteriores do programa.


Segundo Fábio Porchat, que é um dos redatores do humorístico, José Lavigne deixa a direção, que será assumida pelos seis “cassetas” — Helio de la Peña, Reinaldo, Cláudio Manoel, Beto Silva, Marcelo Madureira e Hubert.


Durante filmagens do longa “Totalmente Inocentes” no Morro Dona Marta, no Rio, Porchat também revelou que Maria Paula não volta ao programa e que a equipe já está procurando uma substituta para ela.


“Não tem mais paródia de novela, nem os bordões. Vai ter menos dramaturgia e mais ideias. O programa vai ser apresentado fora do estúdio, em locações, e vai ter até animações”, contou.


Porchat também comparou o “Casseta & Planeta” ao “CQC”, outro humorístico de sucesso. “O ‘Casseta’ gerou o ‘CQC’, mas essa nova linha do ‘Casseta’ não segue a linha do ‘CQC’”, afirmou.


Além de estar envolvido com a produção do novo “Casseta & Planeta”, Porchat está filmando o longa “Totalmente Inocentes”, de Rodrigo Bittencourt, no qual interpreta o traficante Do Morro. O filme tem estreia prevista para julho de 2012.


UOL Televisão

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O retorno do 'Casseta e Planeta' na Globo

Os “cassetas” poderão voltar ao ar na Globo em dezembro com um especial. Este foi um dos acenos feitos pela emissora. O grupo está trabalhando diariamente na criação de um novo formato. A ideia é manter a marca “Casseta & Planeta” no título.
...E mais


O projeto agora é que o grupo fique responsável pela direção-geral artística do novo programa. Isto não significa que os humoristas prescindirão de um diretor de televisão que cuide de luz, som etc.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Maria Paula e José Lavigne saem da turma do 'Casseta'


Sem Maria Paula e o diretor José Lavigne, que deixaram o grupo, os cassetas voltaram a se reunir no dia 2, para a produção de um novo programa. A atração pode estrear ainda neste ano, mas no esquema de temporadas, não mais fixa na grade da Globo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Despedida do 'Casseta e Planeta'

Indefinido
Equipe do "Casseta & Planeta, Urgente!" ainda não fechou o último programa, que irá ao ar na Globo, dia 21. Mas, uma das ideias, é que os personagens se despeçam do telespectador --e de uma maneira bem pra cima.


Como se observa, os humoristas planejam voltar com uma nova proposta, extinguindo o modelo de agora. A gravação acontecerá em dois dias, na mesma semana do "até breve".

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Último Casseta e Planeta Urgente

Por
Patrícia Kogut

Acompanho o trabalhos dos cassetas desde muito antes de o grupo ter um programa. Era, como muitos estudantes cariocas da época - o início dos anos 80 -, leitora do "Casseta Popular", jornalzinho que brincava com política (ainda estávamos na ditadura), criativo, afiadíssimo. De quebra, ainda praticava um humor de autorreferência.


Todo este talento para fazer rir foi transposto para a televisão, e se manteve durante anos, sem prejuízo para o que era ardido, perspicaz, e cheio de fescor. Agora que o programa vai acabar - depois de quase 20 anos no ar na Globo -, Marcelo Madureira argumentou: é preciso parar para repensar o grupo, afinal o Brasil mudou muito desde a estreia. Ele tem razão.


O ambiente poítico, por muito tempo a matéria-prima do humorístico, hoje é outro. E mais do que isso: a política continuou ali, mas deixou de ser a principal inspiração do programa. O "Casseta & Planeta" foi se voltando muito para as sátiras à própria televisão. Teve bons momentos brincando com as novelas, mas acabou limitado às atrações da TV Globo.


É hora de repensar tudo, mas também de lembrar grandes criações. A presença do grupo em várias Copas do Mundo contribuiu para dar uma cor à cobertura mais sóbria da televisão. Inventaram inúmeros bons personagens ao longo desses anos, as Organizações Tabajara, e e experimentaram uma perfeita química com Maria Paula. E os humoristas, que na sua origem eram estritamente redatores, foram se transformando também em bons atores.


O anúncio do fim do "Casseta" marca também a possibilidade de um recomeço para os seus integrantes. Para quem tem o humor na veia, isso não deverá ser difícil.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Qual é o programa que ficará no lugar do Casseta e Planeta?

A direção da Globo não definiu o produto que substituirá o “Casseta” nas noites de terça-feira, a partir de abril. Candidatos não faltam!


Na lista de prováveis aparecem “Tapas e Beijos”, escrito por Cláudio Paiva, com Andréa Beltrão e Fernanda Torres; “Batendo Ponto”, de Paulo Cursino, com Ingrid Guimarães; e “Junto e Misturado”, programa do Bruno Mazzeo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Fim do 'Casseta e Planeta'


 O programa "Casseta & Planeta Urgente!" vai deixar a grade da Globo a partir de dezembro, quando termina a atual temporada. É o fim do programa, exibido há 18 anos na emissora. A decisão foi tomada pelo grupo de humoristas, que pediu à direção da Globo para desenvolver um novo projeto. A informação foi confirmada pelo diretor José Lavigne.


"Você não pode trocar os quatro pneus do carro em movimento. Tem que parar e trocar cada um de uma vez. Já são quase 20 anos de programa", explicou José Lavigne, que dirige o programa desde 1992 e participou da concepção do programa desde o início.


O “Casseta & Planeta, Urgente!” surgiu de “Dóris para Maiores" (1991), primeiro programa com participação regular da turma de humoristas à frente das câmeras. O grupo é atualmente formado por Claudio Manoel, Hubert, Hélio de La Peña, Marcelo Madureira, Beto Silva, Reinaldo e Maria Paula. Em 2006, o comediante Bussunda morreu durante a cobertura da Copa do Mundo, na Alemanha.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tiririca e Netinho de Paula são proibidos na Globo

Por uma recomendação interna, os humoristas do “Casseta & Planeta” evitaram as piadas com Tiririca, que foi o deputado mais votado do Brasil e é contratado da Record (trabalha no “Show do Tom”). Netinho também não pode ser mencionado no humorístico da Globo.


...e mais


E falando no “Casseta”, o grupo está tentando uma entrevista com Paul McCartney durante sua passagem pelo Brasil. Mas está difícil: o ex-Beatle avisou que não pretende atender a imprensa.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Marcelo Madureira do 'Casseta' xinga Lula de "vagabundo" e Dilma de "travesti"


Marcelo Madureira, humorista do “Casseta & Planeta”, foi o convidado especial do “Manhattan Connection” do último domingo (3). Empolgado, ele começou a falar o que vinha na cabeça a respeito do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vagabundo, picareta e impostor” foram alguns dos adjetivos. Madureira também disse que ele não vale nada.


Por causa das eleições, o programa foi exibido ao vivo pelo canal pago GNT, mas nas reprises que foram ao ar na madrugada, às 10hs e às 14hs da última segunda-feira (4), esse trecho foi cortado. Na versão do site oficial do canal, os xingamentos também sumiram.


"O pior desses oito anos do governo Lula foi transformar a política definitivamente numa coisa de chacota. É impressionante como a política foi desmoralizada. Acho incrível, porque na minha opinião a política é a mais nobre atividade do ser humano. E é impressionante como atrai vagabundo, picareta e tal, a começar pelo presidente da República, que não vale nada!", afirmou em tom sério.


A candidata Dilma Roussef não ficou de fora das alfinetadas. Madureira comentou sobre as roupas usadas por ela. "Parece um travesti de Kim Jong-Il [ditador da Coreia do Norte].”

domingo, 19 de setembro de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Turma do Casseta e Planeta no lançamento do livro sobre vida de Bussunda

A turma do Casseta e Planeta esteve em lançamento na livraria da Travessa, no Rio

Hélio de La Peña, Marcelo Madureira, Hubert, Maria Paula, entre outros famosos estiveram na livraria da Travessa, em Ipanema, no Rio, nesta quinta-feira (20). Eles foram conferir o lançamento do livro “Bussunda a vida do Casseta”, de Guilherme Fiuza.

Maria Paula brincou com o filho Felipe no evento

Entrevista de Marcelo Madureira do 'Casseta' para a revista QUEM


Por 45 dias, Marcelo Madureira, 52 anos, proporcionou à mulher, a psicóloga Claudia Campos, à filha, Patrícia, de 21, e ao enteado, Roberto, de 32, férias pouco usuais.

No roteiro, Islândia, Afeganistão, Uzbequistão, Irã e Coreia do Norte. Filmou tudo e formatou "Pacato Cidadão", quadro que desde 16 de maio vai ao ar no Fantástico, no melhor estilo jornalismo-mentira, humorismo-verdade que o Casseta e Planeta, Urgente! faz há 18 anos na Globo.

Madureira recebeu a repórter Clara Passi para responder às perguntas dos leitores enviadas ao site de QUEM.

Ele mostrou-se surpreendentemente tímido e falou enquanto completava um jogo de sudoku. Também narrou o diálogo que teve em sonho com Bussunda, morto em 2006, e se exaltou ao comentar o veto à Copa do Mundo que a Confederação Brasileira de Futebol impôs a sua trupe.

1-Como formulou o Pacato Cidadão?
Monique Vale, Natal (RN)
É uma ideia antiga. Gosto muito do Monty Python (grupo de humoristas ingleses) e um deles, Michael Palin, tem uma série de viagens na BBC. Achava que poderia fazer da minha maneira, pois a dele não é tão humorística. Ano passado, tentei em Cuba. A Globo gostou e estendi.

2- Qual foi o maior aperto que você passou nessas viagens?
Ana Soares, Itu (SP)
Atravessamos a fronteira entre o Afeganistão e o Uzbequistão a pé. Foi um equívoco, porque é muito perigoso. Na travessia, de 1,5 quilômetro, levamos oito horas. Na alfândega, tínhamos dito quanto dinheiro carregávamos e encontraram uma diferença de 250 euros na bolsa da minha mulher. Eles a sequestraram por uma hora, fizeram-na assinar um monte de papéis em russo. Mantive a calma, porque é perigoso mostrar arrogância. Eles ficaram com esse dinheiro e não quiseram dar recibo.

3- Como superaram a morte de Bussunda?
Bruna Justo, Nova Iguaçu (RJ)
O humor é nosso trabalho. Você supera, não pode desistir. Não se pode ter atitude imobilista, depressiva. Humoristas, infelizmente, também morrem. Quanto mais de frente e rápido você enfrenta, melhor.

4- Já sentiu a presença do espírito de Bussunda?
Ari Torres, Uberaba (MG)
Sou ateu. Morreu, acaba. Mas até hoje não gosto de entrar na sala dele aqui no escritório (produtora em Ipanema, onde ele deu a entrevista). Agora, trabalham lá Hélio (de La Peña) e Reinaldo. Sou contra o culto à personalidade, essa coisa de morreu, acabam-se os defeitos. Ele também não gostaria. Às vezes sonho com ele. Outro dia, perguntei: “Pô, você não estava morto?”. E ele: “Não, estava fingindo!”. “Então onde se escondeu esse tempo todo?” (risos). Isso não teve nada de Chico Xavier. Infelizmente, ele não virá puxar meu pé na cama. Ele faria cosquinha!

5- O que acha do Pânico na TV?
Siumara, Apucarana (PR)
O que eles fazem nós fazíamos há 15 anos no programa. A garotada de hoje, naquela época, não passava de um esboço de espermatozoide.

6- E o programa CQC?
Rosa Andiglieri, Novo Hamburgo (RS)
O CQC é estruturado no tipo de programa que fazíamos há algum tempo. Não fomos precursores, detesto que me chamem de mestre. Houve ótimos programas de humor no rádio e na TV antes de nós. O que fizemos foi dar o nosso olhar. Eles fazem isso também. A fila anda.

7- O que acha da censura que a legislação impõe a humoristas em época de eleição?
José Kiure, Recife (PE)
Existe um recrudescimento da censura, não só por parte das autoridades, mas da sociedade, com o politicamente correto. E a legislação eleitoral é o cúmulo da picaretagem. É para proteger os candidatos do riso da sociedade.

8- Vocês já sofreram alguma censura interna da Globo?
Paula Garcia, Curitiba (PR)
A Globo tem normas internas que têm estado mais rígidas. Há assuntos tabus, como drogas e religião. No início do Casseta, fazíamos piada com o papa, com pedra de maconha. Hoje, não mais. Não posso citar marcas ou programas de outra emissora. Isso restringe o trabalho. Mas quem sou eu para discutir com o Departamento Comercial?

9- O técnico Dunga não gosta de vocês?
Maria Ratter, Rio de Janeiro (RJ)
Estou andando e defecando para o que ele acha. O Dunga é problemático. Fiz uma pergunta a ele numa coletiva de imprensa, nem lembro o quê. Ficou putinho, levantou e saiu. Deve ter saído para ir à merda. Temos bom relacionamento com a CBF, mas o Dunga não passa de um anão. É complexado, inseguro. Deveria fazer terapia. Não há jogadores de personalidade nesta Seleção. Quem está lá? O Kaká, aquele evangélico carola? Pela primeira vez, não consigo vibrar com a Copa.

10- Por que o Madureira no nome artístico?
Renato Haydu, São Paulo (SP)
Na escola de engenharia, trabalhava numa colônia de férias, em que eu fazia uma dupla de palhaços com um amigo para animar festa infantil. Ele era o palhaço Cantareira e achei que soaria bem Madureira e Cantareira.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Casseta e Planeta Urgente!


Globo temia polêmica com "Casseta & Planeta"; leia trecho da biografia de Bussunda
da Livraria da Folha

Para que o programa "Casseta & Planeta Urgente" pudesse estrear, em 1992, o diretor de operações José Bonifácio de Oliveira Sobrinho teve que driblar a desconfiança de Roberto Marinho, chefe supremo da emissora. Na ocasião, ele achava o humor dos redatores pesado demais para o horário nobre. A esperança de Boni residia no "gordo e debochado" Bussunda. Para ele, não tinha como o público não enxergar uma certa dose de doçura no humorista.

Essa e outras histórias são contadas pelo jornalista Guilherme Fiuza em "Bussunda - A Vida do Casseta". A biografia de Cláudio Besserman Vianna (1962-2006) explica porque ele se tornou uma das figuras mais amadas do Brasil, conquistando pessoas de todas as idades e classes sociais.

Além de traçar um perfil revelador do comediante, o autor reconstitui o nascimento do "Casseta & Planeta" e relata a trajetória de seus outros integrantes desde a época em que eles faziam parte dos jornais humorísticos "Casseta Popular" e "Planeta Diário".

O livro já se encontra em pré-venda na Livraria da Folha. Fiúza é autor também de "Meu Nome Não É Johnny".

Veja no trecho reproduzido a fase de transição dos humoristas do meio impresso para a televisão e a estreia do programa na Globo.

*
CAPÍTULO 1

Quem mandou nascer b...

A porta da sala de Roberto Marinho na TV Globo se abriu e de lá saiu um homem com uma tonelada nas costas. Uma tonelada de responsabilidade e risco. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho tinha recebido um aviso do chefe supremo. A mais nova atração da emissora, prestes a estrear, não poderia ir ao ar daquela forma.

O programa chamava-se Casseta & Planeta Urgente, e o doutor Roberto não gostara do que vira:

- Nós vamos ter problema. O público vai reclamar da grossura. Esse humor é escatológico. Vamos dar uma maneirada nisso aí - determinou o presidente das Organizações Globo a Boni, o diretor de operações.

A denominação do cargo, no caso, escondia a face real de seu ocupante. Diretor de operações era o nome fantasia para feiticeiro. Boni era o pajé da Globo. Só uma pessoa confiava mais nele do que Roberto Marinho: ele mesmo. E decidiu driblar o patrão.

Recebeu o alerta, e ao fim do percurso de volta à sua sala já decidira fingir que não ouvira direito. Achava que o doutor Roberto tinha razão quanto à grossura do humor encarnado por sete homens feios, debochados e desconhecidos. Mas algo lhe dizia que aquilo ia dar certo. Como era uma fórmula nova, a aposta teria que ser no escuro.

As palavras do chefe martelaram na cabeça de Boni naquele março de 1992: "Isso aí é pesado. Esse pessoal é perigoso." Roberto Marinho estava visivelmente assustado com o conteúdo do novo programa. Ele sabia do que seus autores eram capazes. A revista Casseta Popular e o jornal O Planeta Diário, que projetaram seu humor anárquico, tinham forçado todos os limites da abertura política no governo Sarney - amigo e aliado do dono da Globo:

Presidente está indo longe demais:
Depois da China, Sarney irá à merda - anunciava a manchete do Planeta em julho de 1988.

A batalha no Congresso Nacional pela prorrogação do mandato presidencial também rendera notícia no jornal falso, em abril de 88:

Sarney se queixa à Defesa do Consumidor:
Deputados comprados vieram com defeito.

A Igreja, outro pilar do sistema e ponto sensível na programação da emissora, também já tinha sido profanada pelo grupo. Uma edição da Casseta em 1987 anunciava que "Cristo chegou". Segundo a "reportagem", Jesus desembarcara no Aeroporto Internacional do Galeão e estava irritado: tinha sido retido pela Polícia Federal por sua aparência suspeita ("cabeludão, barbudo e quase despido").

Depois do contratempo, o messias tinha sido bem recebido pelos populares no saguão. Com exceção de um grupo de manifestantes da CUT, que estendera uma faixa no balcão da Varig: "Cristo Go Rome." Nenhuma gráfica aceitou rodar a capa com o "furo" da chegada de Jesus Cristo, mas a edição da Casseta circulou com a reportagem completa nas páginas internas.

Outra cobertura "religiosa" acabaria na polícia. Com a edição do Planeta de dezembro de 85, sob a manchete "Papa bota ovo na Missa do Galo", os editores do jornal foram parar na delegacia, alvos de uma queixa-crime. Iam ficando por lá mesmo, até surgir o advogado Técio Lins e Silva para explicar o jornalismo surrealista às autoridades.

Era evidente que essa linha editorial desvairada no horário nobre da Globo ia dar problema. E a tensão de Roberto Marinho tinha outro motivo forte. Em apenas três anos, a emissora tinha sofrido dois golpes duros da concorrência. A perda de Jô Soares para o SBT deixara um buraco na faixa de humor da programação. E o sucesso estrondoso da novela Pantanal, da Manchete, expusera uma inédita vulnerabilidade dos campeões de audiência. Naquele momento, mais do que nunca, errar não estava nos planos.

E ainda tinha o sexo. Os autores/apresentadores do Casseta & Planeta Urgente pareciam ter uma casa de tolerância na cabeça. Não desperdiçavam qualquer possibilidade de casar o duplo sentido com a canalhice. Cerca de um ano antes, após o romance explosivo entre o ministro da Justiça, Bernardo Cabral, e a polêmica dama de ferro da economia, Zélia Cardoso de Mello, o Planeta veio com a manchete:

Bernardo Cabral diz que ministra da Economia deu certo.

Em 1989, a capa da edição mais vendida da Casseta - cerca de 100 mil exemplares - trouxera o então candidato a presidente Fernando Collor, o "caçador de marajás", nu da cintura para baixo, levemente virado de costas. A matéria anunciava toda a verdade sobre o "caçador de maracujás" - sendo a sílaba intrusa uma delicada referência ao que a foto mostrava. Coisa de moleque.

O problema era que os autores levavam a sério sua molecagem, e ela andara fisgando gente grande. Grande como o feiticeiro da Globo. Boni entrara num show dos redatores da Casseta e do Planeta, no Rio, e ficara cismado.

Nas horas vagas entre os absurdos jornalísticos, eles escreviam absurdos musicais - e, num vácuo da programação do pequeno Jazzmania, tinham ido parar em cima do palco. A brincadeira mais uma vez ficou séria e levou-os ao Canecão. Boni foi ver o que era aquilo.

Era o amadorismo mais profissional que já vira. Pegou-se rindo de um jeito diferente, ao assistir à interpretação radiante de Eu Tô Tristão, um "samba-exumação":

Eu tô tristão, tô sofrendo pra caralho
Eu me fudi, sou carta fora do baralho.

A paródia da alegria carnavalesca enfiava um enredo depressivo no ritmo frenético das escolas de samba. Bizarro. Era o desabafo de um corno consciente, que se percebe chato e "meio mais ou menos", com tudo para dar errado: "quem mandou nascer babaca".

A cisma de Boni era que aquele espetáculo trash tinha tudo a ver com televisão. Mas nas discussões internas na emissora, era claro o temor geral quanto a estrelar uma Terça Nobre com sete boquirrotos, feios e anônimos. Eles tinham chegado à Globo como parte do time de redatores do humorístico TV Pirata. Depois participaram do programa Dóris para Maiores, que misturava jornalismo e humor - onde fizeram suas primeiras aparições na tela como repórteres "especiais". Dois diretores chegaram a propor que fossem testados homeopaticamente em outros programas, para que o público se acostumasse com suas caras (de pau).

Boni não quis saber de homeopatia. Tinha que ser de uma vez só, uma Terça Nobre só deles. Um soco. O diretor Carlos Manga convergiu: "É, põe os caras. Se ficar uma merda, tira do ar." Mas Boni já tinha combinado tudo com a bola de cristal: não ia ficar uma merda.

Passando ao largo das dúvidas - e da advertência de Roberto Marinho -, o feiticeiro bancou o risco. E a certeza cega de sua aposta tinha nome: Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda.

Quando as palavras preocupadas do chefe vinham à sua cabeça, era a figura de Bussunda cantando o "samba-exumação" Eu Tô Tristão que não o deixava recuar. O velho homem de TV estava cada vez mais convicto de que, ao botar aquele gordo debochado no ar, o que era grossura para o doutor Roberto viraria doçura para o público. Bussunda era sacana como uma criança endiabrada. Não ia ofender ninguém.

Essa era a teoria de Boni. Mas chegou o dia da prática. Na noite de 28 de abril de 92, ao assistir à estreia do Casseta & Planeta Urgente, o diretor de operações sentiu um calafrio. Nada de arrependimento, apenas a certeza de um dia seguinte tumultuado. Aquele "humor escatológico" no horário nobre de terça não prometia uma quarta muito nobre. Ia render, no barato, um caminhão de reclamações. Boni precisaria se municiar de argumentos fortes para enfrentar o doutor Roberto.

Na manhã seguinte, seu primeiro ato depois de escovar os dentes foi consultar a Central de Atendimento ao Telespectador, o para-raios das queixas à Globo. Precisava conhecer o tipo predominante de reclamação, para saber em qual faixa de público a rejeição ao programa tinha sido maior. Mas o funcionário da CAT não tinha essa informação.

Nem essa, nem outra:

- O atendimento está zerado pro Casseta & Planeta. Ninguém telefonou.

Não era possível. Boni acreditava numa boa receptividade, mas não se lembrava de ter posto uma fórmula nova no ar sem uma queixa sequer. Checadas, as linhas da central pareciam tecnicamente ok. Ainda estava cedo, era preciso domar a ansiedade e esperar a avalanche, que fatalmente viria. Com o passar das horas, porém, o placar da CAT teimava em não sair do zero. E não sairia.

Na sala do diretor de operações, a secretária também não tinha nenhum recado para o chefe. Ele não fora procurado pelo cardeal - nem o da Arquidiocese, que ligava de vez em quando, nem o da Globo, que ligava sempre. Com a pista livre, Boni foi verificar os índices de audiência: os cassetas grosseiros e anônimos tinham superado os trinta pontos no ibope. Sucesso total. Com a alma lavada e os números mágicos na mão, o diretor correu à sala de Roberto Marinho.

O chefe ficou feliz com as notícias sobre a ampla aceitação do público. Mas continuava ressabiado:

- Boni, eu acho pesado. Vai ser sempre assim?
- Não, doutor Roberto. Quando os rapazes ficarem mais à vontade vai piorar um pouquinho...

*