Assinado
Walther Negrão também está de contrato novo na TV Globo. Assinou por mais 8 anos. O compromisso prevê, ao longo de todo este tempo, novelas, supervisão e minissérie.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Por onde anda Carlos Lombardi?
No micro
Carlos Lombardi está mergulhado na sinopse de uma nova novela para o horário das 19 horas da Globo. Tudo muito no começo.
O trabalho ainda será avaliado pela direção da emissora --entenda-se Manoel Martins e equipe.
Carlos Lombardi está mergulhado na sinopse de uma nova novela para o horário das 19 horas da Globo. Tudo muito no começo.
O trabalho ainda será avaliado pela direção da emissora --entenda-se Manoel Martins e equipe.
domingo, 20 de março de 2011
Lara com Z e Fina Estampa:Novidades de Aguinaldo Silva
Aguinaldo Silva é um trabalhador assumido. Consegue, ao mesmo tempo, escrever a série Lara com Z, que estreia dia 7 de abril; dar suas opiniões em seu site; postar mensagens no Facebook; planejar a nova novela Fina Estampa, com lançamento previsto para setembro deste ano; supervisionar Laços de Sangue, co-produção da Globo com a portuguesa SIC, e ainda inaugurar o restaurante Brasileiríssimo em Portugal. Se pensa em largar tudo? “Trabalho 18 horas por dia, só paro quando estou dormindo. É como já disse: só vou parar de trabalhar e encher o saco de vocês no dia da minha morte”.
Por que Lara com Z?
Na verdade é uma brincadeira com Liza com Z, o título de um especial de TV de Liza Minelli que virou um clássico.
Por que dar continuidade a Cinquentinha?
Simples: foi o primeiro seriado realmente com linguagem de seriado feito no Brasil. O resto é sitcom, linguagem que já ficou para trás há muito tempo, ou “private joke” de atores e diretores que se acham engraçadíssimos.
Você vai escrever mais duas temporadas de Lara? Já tem a ideia na cabeça?
Claro, quando você começa a escrever um seriado – eu digo profissionalmente, como é o caso de Lara com Z, e não amadoristicamente, como em geral se faz no Brasil -, você já sabe para onde vai nos próximos três anos. É só receber o sinal verde, sentar o rabo diante do computador e mandar bala.
Lara é sua melhor série?
Sim, porque é a de linguagem mais apurada e de tramas mais sofisticadas e complexas. É também a mais bem escrita.
Você é perfeccionista. Fez muitas mudanças em Lara?
Cada episódio foi lido, relido, “trelido” e sofreu modificações a cada releitura, pelo menos cinco vezes. E se não tivesse prazos a cumprir ainda estaria mexendo no texto.
Em que Lara vai chamar atenção?
A luta pela sobrevivência sem perder a excelência. Lara é exemplar porque ilustra à perfeição essa bendita teimosia de algumas pessoas idosas, que se recusam a fechar a cortina e sair do palco da vida. Lara vai ser uma estrela até morrer, assim como Susana Vieira vai representar até morrer e eu vou escrever até morrer. E vocês vão ter que nos engolir!.
Susana Vieira faz a protagonista da série, que tem 35 anos. Na vida real, a atriz tem 67. Como vai convencer o telespectador?
Meu Deus, por que vocês insistem em se enganar e sempre contra a Susana? Em Lara, a protagonista é uma mulher de 67 anos, que aparenta 50 e poucos e, numa peça de teatro, vive uma personagem de 35. DesdeCinquentinha que Lara revelou sua verdadeira idade e é a mesma da atriz que a vive, 67 anos.
Susana também vai estar em Fina Estampa?
Se eu começar a dizer que ela está e qual é a personagem, ela já entra de cabeça. Deixa primeiro as gravações de Lara terminarem.
Prefere novelas ou séries?
O que vier eu traço. Novela dá mais prestígio, mais dor de cabeça e me proporciona participar de uma série infindável de discussões e barracos, coisas que adoro. Seriado é mais produto de laboratório, pensado e repensado.
Qual a dificuldade na escalação de elenco?
Escolher os atores certos e descobrir se eles estão disponíveis.
O diretor Wolf Maya diz que você tem uma visão despudorada e anárquica e isso gera uma intimidade com o público. O que acha?
Perfeito. Sou despudorado e anárquico como é o brasileiro. Na minha primeira cena, o telespectador já sabe para onde eu vou e do que estou falando. É como se eu piscasse o olho para ele. Resumindo: sou um autor popular.
Beatriz Segall será vilã. Vai superar Odete Roittman?
Não há comparação. Odete Roittman era personagem de novela e tinha espaço para mais maldades. Maria Beatriz é marcante, mas vai aparecer no horário das 23h30, o que já a coloca em desvantagem em relação à outra.
Já teve problemas com a censura?
Na época em que a censura era ostensiva (durante a ditadura), tive frequentes problemas. Agora, que existe a classificação por faixa etária, que é uma forma disfarçada de censura, também tenho problemas. Em Duas Caras tive que tirar uma trama inteira no espaço de um capítulo ou a novela seria reclassificada para as 22h.
De onde tira tanta inspiração?
Da vida, em primeiro lugar, e depois da leitura dos jornais. E eu serei sempre grato a vocês, jornalistas, por causa disso.
Fina Estampa abordará que temas?
Vou falar apenas do tema principal: o que é mais importante num ser humano, a aparência ou o caráter? Trocando em miúdos: o que é melhor, você ter peitinhos pequenos e ser decente ou ter dois balões de silicone e armar as maiores baixarias?.
Quem será a substituta de Juliana Paes?
Não tem essa de substituta. Se fosse a Juliana seria uma personagem, se for a Carolina Dieckmann será outra.
Você gosta de criar polêmicas. Já criou inimigos?
Tem uns caras aí que vivem querendo me capar. Alguns já morreram, outros estão caquéticos. Mas eu nunca falo o nome deles, apenas desejo que tenham uma boa morte. E que nunca brochem.
Na intimidade também é crítico?
Se eu fosse tão crítico na rua quanto sou em casa a turma já tinha me linchado há muito tempo.
Continua sem gostar de namorar?
A obsessão pelo sexo, que geralmente acomete pessoas ricas e poderosas, acaba por desviá-las do fulcro principal: continuar sendo ricas e poderosas. O sexo – ou o namoro, pra sermos mais discretos – pode se tornar um vício mais perigoso e mortal que o tabagismo. Hoje em dia, o namoro, na minha lista de preferências, está em 18º lugar, muito abaixo, por exemplo, da necessidade que sinto de ir à missa de vez em quando.
É vaidoso?
Vaidosésimo. Quando escrevo que sou sexy, gostosão e lindo, é porque acredito piamente nisso. Faço exercício, massagens, dietas, uso os cremes todos de ultimíssima geração que custam verdadeiras fortunas. Sou como Lara com Z: tenho 67 anos, mas aparento 48 e, com a iluminação ideal, posso até fingir que tenho apenas 35.
É a favor das cirurgias plásticas?
Sou, mas nunca fiz. Morro de medo!.
Tem algum sonho de consumo?
Sempre quis ter um Jaguar. Mas quando penso que vou ter que passar com ele por entre aquelas favelas da Linha Vermelha, aí me bate uma tristeza…
Nas horas de folga o que curte fazer?
Ver filmes (sempre no DVD, nunca no cinema, detesto ver aquela gente comendo barris de pipoca e tomando refrigerante), vou ao teatro, janto com amigo… Levo uma vida caretíssima! Mas nunca fico mais de três dias na mesma casa (tenho cinco).
Gosta de cozinhar? Quais os seus pratos preferidos?
Adoro. É minha terapia. Faço qualquer coisa, mas os meus risotos e frutos do mar são famosos na minha roda de amigos.
Como foi a inauguração do Brasileiríssimo?
Por enquanto o restaurante está funcionando em regime de “soft openning”. Só quando eu chegar lá é que vai haver a inauguração oficial.
TERRA
Por que Lara com Z?
Na verdade é uma brincadeira com Liza com Z, o título de um especial de TV de Liza Minelli que virou um clássico.
Por que dar continuidade a Cinquentinha?
Simples: foi o primeiro seriado realmente com linguagem de seriado feito no Brasil. O resto é sitcom, linguagem que já ficou para trás há muito tempo, ou “private joke” de atores e diretores que se acham engraçadíssimos.
Você vai escrever mais duas temporadas de Lara? Já tem a ideia na cabeça?
Claro, quando você começa a escrever um seriado – eu digo profissionalmente, como é o caso de Lara com Z, e não amadoristicamente, como em geral se faz no Brasil -, você já sabe para onde vai nos próximos três anos. É só receber o sinal verde, sentar o rabo diante do computador e mandar bala.
Lara é sua melhor série?
Sim, porque é a de linguagem mais apurada e de tramas mais sofisticadas e complexas. É também a mais bem escrita.
Você é perfeccionista. Fez muitas mudanças em Lara?
Cada episódio foi lido, relido, “trelido” e sofreu modificações a cada releitura, pelo menos cinco vezes. E se não tivesse prazos a cumprir ainda estaria mexendo no texto.
Em que Lara vai chamar atenção?
A luta pela sobrevivência sem perder a excelência. Lara é exemplar porque ilustra à perfeição essa bendita teimosia de algumas pessoas idosas, que se recusam a fechar a cortina e sair do palco da vida. Lara vai ser uma estrela até morrer, assim como Susana Vieira vai representar até morrer e eu vou escrever até morrer. E vocês vão ter que nos engolir!.
Susana Vieira faz a protagonista da série, que tem 35 anos. Na vida real, a atriz tem 67. Como vai convencer o telespectador?
Meu Deus, por que vocês insistem em se enganar e sempre contra a Susana? Em Lara, a protagonista é uma mulher de 67 anos, que aparenta 50 e poucos e, numa peça de teatro, vive uma personagem de 35. DesdeCinquentinha que Lara revelou sua verdadeira idade e é a mesma da atriz que a vive, 67 anos.
Susana também vai estar em Fina Estampa?
Se eu começar a dizer que ela está e qual é a personagem, ela já entra de cabeça. Deixa primeiro as gravações de Lara terminarem.
Prefere novelas ou séries?
O que vier eu traço. Novela dá mais prestígio, mais dor de cabeça e me proporciona participar de uma série infindável de discussões e barracos, coisas que adoro. Seriado é mais produto de laboratório, pensado e repensado.
Qual a dificuldade na escalação de elenco?
Escolher os atores certos e descobrir se eles estão disponíveis.
O diretor Wolf Maya diz que você tem uma visão despudorada e anárquica e isso gera uma intimidade com o público. O que acha?
Perfeito. Sou despudorado e anárquico como é o brasileiro. Na minha primeira cena, o telespectador já sabe para onde eu vou e do que estou falando. É como se eu piscasse o olho para ele. Resumindo: sou um autor popular.
Beatriz Segall será vilã. Vai superar Odete Roittman?
Não há comparação. Odete Roittman era personagem de novela e tinha espaço para mais maldades. Maria Beatriz é marcante, mas vai aparecer no horário das 23h30, o que já a coloca em desvantagem em relação à outra.
Já teve problemas com a censura?
Na época em que a censura era ostensiva (durante a ditadura), tive frequentes problemas. Agora, que existe a classificação por faixa etária, que é uma forma disfarçada de censura, também tenho problemas. Em Duas Caras tive que tirar uma trama inteira no espaço de um capítulo ou a novela seria reclassificada para as 22h.
De onde tira tanta inspiração?
Da vida, em primeiro lugar, e depois da leitura dos jornais. E eu serei sempre grato a vocês, jornalistas, por causa disso.
Fina Estampa abordará que temas?
Vou falar apenas do tema principal: o que é mais importante num ser humano, a aparência ou o caráter? Trocando em miúdos: o que é melhor, você ter peitinhos pequenos e ser decente ou ter dois balões de silicone e armar as maiores baixarias?.
Quem será a substituta de Juliana Paes?
Não tem essa de substituta. Se fosse a Juliana seria uma personagem, se for a Carolina Dieckmann será outra.
Você gosta de criar polêmicas. Já criou inimigos?
Tem uns caras aí que vivem querendo me capar. Alguns já morreram, outros estão caquéticos. Mas eu nunca falo o nome deles, apenas desejo que tenham uma boa morte. E que nunca brochem.
Na intimidade também é crítico?
Se eu fosse tão crítico na rua quanto sou em casa a turma já tinha me linchado há muito tempo.
Continua sem gostar de namorar?
A obsessão pelo sexo, que geralmente acomete pessoas ricas e poderosas, acaba por desviá-las do fulcro principal: continuar sendo ricas e poderosas. O sexo – ou o namoro, pra sermos mais discretos – pode se tornar um vício mais perigoso e mortal que o tabagismo. Hoje em dia, o namoro, na minha lista de preferências, está em 18º lugar, muito abaixo, por exemplo, da necessidade que sinto de ir à missa de vez em quando.
É vaidoso?
Vaidosésimo. Quando escrevo que sou sexy, gostosão e lindo, é porque acredito piamente nisso. Faço exercício, massagens, dietas, uso os cremes todos de ultimíssima geração que custam verdadeiras fortunas. Sou como Lara com Z: tenho 67 anos, mas aparento 48 e, com a iluminação ideal, posso até fingir que tenho apenas 35.
É a favor das cirurgias plásticas?
Sou, mas nunca fiz. Morro de medo!.
Tem algum sonho de consumo?
Sempre quis ter um Jaguar. Mas quando penso que vou ter que passar com ele por entre aquelas favelas da Linha Vermelha, aí me bate uma tristeza…
Nas horas de folga o que curte fazer?
Ver filmes (sempre no DVD, nunca no cinema, detesto ver aquela gente comendo barris de pipoca e tomando refrigerante), vou ao teatro, janto com amigo… Levo uma vida caretíssima! Mas nunca fico mais de três dias na mesma casa (tenho cinco).
Gosta de cozinhar? Quais os seus pratos preferidos?
Adoro. É minha terapia. Faço qualquer coisa, mas os meus risotos e frutos do mar são famosos na minha roda de amigos.
Como foi a inauguração do Brasileiríssimo?
Por enquanto o restaurante está funcionando em regime de “soft openning”. Só quando eu chegar lá é que vai haver a inauguração oficial.
TERRA
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Autores e Diretores Globais:Guerra e Paz
Tão importante quanto o texto é a forma como ele é apresentado na teledramaturgia. A movimentação das câmaras para passar a emoção correta, a maneira como cada ator vai exteriorizar um diálogo, seus figurinos, a fotografia da cena e toda a estética impressa em cada tomada. Nesse casamento audiovisual, a balança precisa estar sempre em equilíbrio entre os dois pólos mais importantes das produções de dramaturgia: autores e diretores. Enquanto há décadas era comum perceber atritos entre eles, atualmente tem sido mais comum a igual divisão de tarefas e os acordos mútuos na escolha dos mais variados elementos das produções. Desde a escolha do figurino, caracterização, cenografia e escalação de cada ator e integrante da equipe técnica, tudo é definido em comum acordo. O autor Gilberto Braga, por exemplo, que trabalha com o diretor Dennis Carvalho desde Dancin’ Days, conseguiu um equilíbrio entre os poderes sobre as produções. “Nunca nos perguntamos quem manda mais, como acontece em muitos trabalhos que envolvem criação. Cada ator é escolhido pelos dois. Se um discordar, partimos para outro. Não há espaço para brigas”, explicou Gilberto Braga.
Para Ricardo Waddington, diretor de núcleo de Cordel Encantado, próxima trama das seis da Globo, o mais importante nessa parceria na TV é perceber, com o tempo, com quais profissionais se tem mais empatia e semelhanças para não correr riscos. “Não trabalho com alguém que eu não vou com a cara e com quem eu não tenha admiração artística e ética. Nem autor e nem ator. Se eu não admirar minha equipe, o resultado do trabalho fica comprometido”, avaliou Ricardo, antes de emendar. “É difícil não pensar assim hoje em dia. A palavra poder não entra mais nessas relações”, assegurou
Mas o poder igualitário entre autores e diretores arrebenta do lado mais fraco quando existem divergências na produção. América, de Glória Perez, logo no início sofreu alterações no perfil da mocinha Sol, de Deborah Secco, na trilha sonora e até na música de abertura da novela. Tudo porque a autora e o diretor Jayme Monjardim começaram a pensar de formas diferentes na produção. “Tenho o maior orgulho de América. Implantei a novela e essa fase é a mais importante”, ressaltou Jayme. “Autor e diretor têm de dançar no mesmo ritmo como em uma dança. Fui feliz na maioria dos meus casamentos artísticos. Só deu errado uma vez”, observou Glória.
Logo após este divórcio artístico, Jayme foi prontamente chamado por Manoel Carlos, que há tempos queria trabalhar com ele. “Assim que ele pediu para se afastar de América, solicitei que viesse trabalhar comigo, mas a emissora deixou que ele decidisse”, lembrou Maneco.
Em alguns casos, é necessário fazer ajustes para que a convivência entre diretor e autor aconteça da melhor forma. Em O Beijo do Vampiro, por exemplo, o diretor Marcos Paulo pediu que o autor Antônio Calmon evitasse diálogos muito longos porque eles eram mais propícios a cacos e certamente as cenas seriam cortadas. “Nem o autor é datilógrafo e nem o diretor é fantoche. Novela tem de ser o circo dos democráticos”, analisou Calmon.
Sensibilidade apurada
Para a autora Maria Adelaide Amaral, que voltou às novelas com o remake de Ti-ti-ti, a presença de um diretor que domina a comédia tem sido crucial para a autora neste retorno. Maria Adelaide costuma escolher o elenco de suas tramas em parceria com os diretores, mas acha que, neste trabalho, as indicações do diretor Jorge Fernando foram perfeitas na história, principalmente Murilo Benício e Alexandre Borges como os rivais Victor Valentin e Jacques Leclair. “O diretor é quem mais convive com os atores. Para eles, essa escolha é fundamental”, frisou a autora.
Mas nem sempre é fácil trabalhar com alguns diretores, principalmente os que têm uma linha mais autoral que acaba interferindo diretamente no texto. Quando trabalhou com o diretor Luiz Fernando Carvalho na minissérie Os Maias, Maria Adelaide chegou a ter divergências com o rumo da produção. “Ele é um craque, cuidadoso e refinado, mas pensamos diferente em Os Maias porque meu foco é o texto”, ressaltou.
Instantâneas
# Em Guerra dos Sexos, de Silvio de Abreu, exibida em 1983, os diretores Jorge Fernando e Guel Arraes, que ainda não eram titulares na direção de núcleo da Globo, assumiram juntos a novela de Silvio. No início, ambos se estranharam na concepção das tomadas.
# Aguinaldo Silva trabalhou por anos com o diretor Paulo Ubiratan. Ambos foram parceiros nas tramas Roque Santeiro, Tieta, Fera Ferida, A Indomada, Pedra Sobre Pedra e Riacho Doce. “Foi o meu maior cúmplice na TV. Ele sempre acrescentava algo às novelas”, lembrou Aguinaldo.
# Carlos Lombardi assume que tem problemas com alguns diretores que sempre costumam usar muitas cenas com gruas. O autor sempre pede para estes profissionais utilizarem o menos possível este recurso em suas tramas.
# Wolf Maya é um dos diretores mais elogiados pelos autores e outros diretores que já trabalharam com ele, como Carlos Lombardi e Ignácio Coqueiro. Esses profissionais afirmam que Wolf se sobressai na direção dos atores, independentemente da direção e marcação das cenas.
Para Ricardo Waddington, diretor de núcleo de Cordel Encantado, próxima trama das seis da Globo, o mais importante nessa parceria na TV é perceber, com o tempo, com quais profissionais se tem mais empatia e semelhanças para não correr riscos. “Não trabalho com alguém que eu não vou com a cara e com quem eu não tenha admiração artística e ética. Nem autor e nem ator. Se eu não admirar minha equipe, o resultado do trabalho fica comprometido”, avaliou Ricardo, antes de emendar. “É difícil não pensar assim hoje em dia. A palavra poder não entra mais nessas relações”, assegurou
Mas o poder igualitário entre autores e diretores arrebenta do lado mais fraco quando existem divergências na produção. América, de Glória Perez, logo no início sofreu alterações no perfil da mocinha Sol, de Deborah Secco, na trilha sonora e até na música de abertura da novela. Tudo porque a autora e o diretor Jayme Monjardim começaram a pensar de formas diferentes na produção. “Tenho o maior orgulho de América. Implantei a novela e essa fase é a mais importante”, ressaltou Jayme. “Autor e diretor têm de dançar no mesmo ritmo como em uma dança. Fui feliz na maioria dos meus casamentos artísticos. Só deu errado uma vez”, observou Glória.
Logo após este divórcio artístico, Jayme foi prontamente chamado por Manoel Carlos, que há tempos queria trabalhar com ele. “Assim que ele pediu para se afastar de América, solicitei que viesse trabalhar comigo, mas a emissora deixou que ele decidisse”, lembrou Maneco.
Em alguns casos, é necessário fazer ajustes para que a convivência entre diretor e autor aconteça da melhor forma. Em O Beijo do Vampiro, por exemplo, o diretor Marcos Paulo pediu que o autor Antônio Calmon evitasse diálogos muito longos porque eles eram mais propícios a cacos e certamente as cenas seriam cortadas. “Nem o autor é datilógrafo e nem o diretor é fantoche. Novela tem de ser o circo dos democráticos”, analisou Calmon.
Sensibilidade apurada
Para a autora Maria Adelaide Amaral, que voltou às novelas com o remake de Ti-ti-ti, a presença de um diretor que domina a comédia tem sido crucial para a autora neste retorno. Maria Adelaide costuma escolher o elenco de suas tramas em parceria com os diretores, mas acha que, neste trabalho, as indicações do diretor Jorge Fernando foram perfeitas na história, principalmente Murilo Benício e Alexandre Borges como os rivais Victor Valentin e Jacques Leclair. “O diretor é quem mais convive com os atores. Para eles, essa escolha é fundamental”, frisou a autora.
Mas nem sempre é fácil trabalhar com alguns diretores, principalmente os que têm uma linha mais autoral que acaba interferindo diretamente no texto. Quando trabalhou com o diretor Luiz Fernando Carvalho na minissérie Os Maias, Maria Adelaide chegou a ter divergências com o rumo da produção. “Ele é um craque, cuidadoso e refinado, mas pensamos diferente em Os Maias porque meu foco é o texto”, ressaltou.
Instantâneas
# Em Guerra dos Sexos, de Silvio de Abreu, exibida em 1983, os diretores Jorge Fernando e Guel Arraes, que ainda não eram titulares na direção de núcleo da Globo, assumiram juntos a novela de Silvio. No início, ambos se estranharam na concepção das tomadas.
# Aguinaldo Silva trabalhou por anos com o diretor Paulo Ubiratan. Ambos foram parceiros nas tramas Roque Santeiro, Tieta, Fera Ferida, A Indomada, Pedra Sobre Pedra e Riacho Doce. “Foi o meu maior cúmplice na TV. Ele sempre acrescentava algo às novelas”, lembrou Aguinaldo.
# Carlos Lombardi assume que tem problemas com alguns diretores que sempre costumam usar muitas cenas com gruas. O autor sempre pede para estes profissionais utilizarem o menos possível este recurso em suas tramas.
# Wolf Maya é um dos diretores mais elogiados pelos autores e outros diretores que já trabalharam com ele, como Carlos Lombardi e Ignácio Coqueiro. Esses profissionais afirmam que Wolf se sobressai na direção dos atores, independentemente da direção e marcação das cenas.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Walcyr Carrasco emagreceu
Corpo
Após fazer uma lipoaspiração, Walcyr Carrasco anda reclamando que a cinta modeladora que está usando faz suas calças caírem. Carrasco escreve a próxima novela das sete da Globo, "Morde e Assopra".
Após fazer uma lipoaspiração, Walcyr Carrasco anda reclamando que a cinta modeladora que está usando faz suas calças caírem. Carrasco escreve a próxima novela das sete da Globo, "Morde e Assopra".
sábado, 15 de janeiro de 2011
Os Novos Autores da Globo
A direção da Globo encomendou três sinopses a jovens autores considerados talentosos e promissores. Filipe Miguez entregou um projeto ambientado nos anos 80. Patrícia Moretzsohn e Márcia Prattes também desenvolveram histórias. Elas estão sendo avaliadas.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O Site de Aguinaldo Silva
Susana Vieira, Antônio Fagundes, Lilia Cabral, Arlete Salles, Alexandre Borges, Joana Fomm e Stênio Garcia foram alguns dos artistas que prestigiaram o lançamento do site do autor Aguinaldo Silva, na noite desta segunda-feira, na Barra, no Rio. Na festa, também apareceu a novo galã da sua próxima novela das 20h, "Fina estampa" que só deve estrear em setembro de 2011.
Trata-se do português Paulo Rocha, de 33 anos, já conhecido nas telinhas de lá, mas que pela primeira vez irá atuar em um folhetim brasileiro. O rapaz, que será o par romântico de Lilia Cabral, não escondeu um certo nervosismo com o que ele acredita ser a realização de um sonho. "Desde pequeno acompanho as novelas brasileiras. Sonhava em ser ator quando vi 'Roque santeiro" e hoje estou aqui, escalado para fazer parte de uma novela do horário nobre."Estou muito feliz e louco para começar a gravar".
Além de Paulo Rocha e Lilia Cabral, dois nomes foram garantidos no elenco de "Fina estampa" pelo próprio autor: Suzana Pires e Christiane Torloni. Aguinaldo, que ainda escolhe outros atores, já avisou que sua próxima obra será baseada nas relações familiares. "Posso garantir que será um novelão, de prender o público, de mexer com a emoção", comentou.
Trata-se do português Paulo Rocha, de 33 anos, já conhecido nas telinhas de lá, mas que pela primeira vez irá atuar em um folhetim brasileiro. O rapaz, que será o par romântico de Lilia Cabral, não escondeu um certo nervosismo com o que ele acredita ser a realização de um sonho. "Desde pequeno acompanho as novelas brasileiras. Sonhava em ser ator quando vi 'Roque santeiro" e hoje estou aqui, escalado para fazer parte de uma novela do horário nobre."Estou muito feliz e louco para começar a gravar".
Além de Paulo Rocha e Lilia Cabral, dois nomes foram garantidos no elenco de "Fina estampa" pelo próprio autor: Suzana Pires e Christiane Torloni. Aguinaldo, que ainda escolhe outros atores, já avisou que sua próxima obra será baseada nas relações familiares. "Posso garantir que será um novelão, de prender o público, de mexer com a emoção", comentou.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Walcyr Carrasco, o novo autor de novelas do horário das 8 da Globo
Autor da Globo quebra regra de elenco e é promovido
A sucessora de "Ti-ti-ti", "Dinossauros e Robôs" promete quebrar um recorde nada animador para Globo: terá um dos maiores elencos da faixa das sete, com mais de 70 personagens. Há dois anos a emissora vem tentando enxugar o casting de suas tramas, evitando escalações nababescas como a de "Duas Caras", que teve 110 personagens, e investindo em novelas mais enxutas como "Passione", com 38 personagens.
A recomendação da Globo tem a ver com o aumento da demanda de atores na rede, que tem colocado mais dramaturgia no ar, e serve para evitar que alguns emendem um trabalho no outro.
Assinada por Walcyr Carrasco, "Dinossauros e Robôs", que estreia em março, tem 11 núcleos diferentes de personagens, número que pode aumentar.
Antecessoras no horário, "Três Irmãs" e "Tempos Modernos", ficaram na casa dos 50 personagens e apenas sete ou oito núcleos.
"Dinossauros e Robôs" ainda marcará a promoção do autor. Tende a ser última trama de Carrasco no horário. A partir de 2012 ele deve integrar o time dos autores de novelas das oito da Globo.
A sucessora de "Ti-ti-ti", "Dinossauros e Robôs" promete quebrar um recorde nada animador para Globo: terá um dos maiores elencos da faixa das sete, com mais de 70 personagens. Há dois anos a emissora vem tentando enxugar o casting de suas tramas, evitando escalações nababescas como a de "Duas Caras", que teve 110 personagens, e investindo em novelas mais enxutas como "Passione", com 38 personagens.
A recomendação da Globo tem a ver com o aumento da demanda de atores na rede, que tem colocado mais dramaturgia no ar, e serve para evitar que alguns emendem um trabalho no outro.
Assinada por Walcyr Carrasco, "Dinossauros e Robôs", que estreia em março, tem 11 núcleos diferentes de personagens, número que pode aumentar.
Antecessoras no horário, "Três Irmãs" e "Tempos Modernos", ficaram na casa dos 50 personagens e apenas sete ou oito núcleos.
"Dinossauros e Robôs" ainda marcará a promoção do autor. Tende a ser última trama de Carrasco no horário. A partir de 2012 ele deve integrar o time dos autores de novelas das oito da Globo.
Gilberto Braga comenta a saída de Ana Paula Arósio de sua novela
Gilberto Braga, autor da novela "Insensato Coração", disse em entrevista à QUEM nesta quarta-feira (13), que achou a atitude da atriz Ana Paula Arósio bastante antiprofissional.
"Acho a atitude bastante antiprofissional e ainda não tenho notícias de quem vai fazer o papel", disse Gilberto Braga sobre o caso.
A atriz, que estava escalada há mais de um ano para viver a protagonista da trama, chamada Marina, foi afastada da novela após não comparecer às gravações dos primeiros capítulos, realizadas em Florianópolis, segundo confirmou o assessor da artista Paulo Marra.
Apesar da confirmação, Paulo diz que a atriz não irá comentar sobre o assunto. "Essa foi uma resolução pessoal, de ordem particular, e ela não vai se manifestar à respeito. "
Ana Paula Arósio mudou o visual, aderindo ao cabelo curtinho, justamente para viver a personagem Marina, protagonista da novela que substituirá "Passione" no começo de 2011. Em entrevista coletiva no último dia 7 de outubro, a atriz falou sobre sua personagem, que viveria um triângulo amoroso com os atores Eriberto Leão e Fábio Assunção, e dos planos de engravidar: "Estou treinando bastante para ter um bebê, mas só depois da novela, pois minha personagem, Marina, não fica grávida". Comunicado oficial
A assessoria da Rede Globo divulgou um comunicado oficial na noite desta quarta-feira (13), comentando o afastamento da atriz Ana Paula Arósio da novela "Insensato Coração", escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares e com direção de núcleo de Dennis Carvalho.
"Ana Paula Arósio, a protagonista escalada para a trama, não compareceu às gravações e, por isso, a direção tomou a decisão de substituir a atriz. O trabalho da produção segue na capital catarinense, enquanto a emissora avalia quem irá assumir o papel de Marina."
"Acho a atitude bastante antiprofissional e ainda não tenho notícias de quem vai fazer o papel", disse Gilberto Braga sobre o caso.
A atriz, que estava escalada há mais de um ano para viver a protagonista da trama, chamada Marina, foi afastada da novela após não comparecer às gravações dos primeiros capítulos, realizadas em Florianópolis, segundo confirmou o assessor da artista Paulo Marra.
Apesar da confirmação, Paulo diz que a atriz não irá comentar sobre o assunto. "Essa foi uma resolução pessoal, de ordem particular, e ela não vai se manifestar à respeito. "
Ana Paula Arósio mudou o visual, aderindo ao cabelo curtinho, justamente para viver a personagem Marina, protagonista da novela que substituirá "Passione" no começo de 2011. Em entrevista coletiva no último dia 7 de outubro, a atriz falou sobre sua personagem, que viveria um triângulo amoroso com os atores Eriberto Leão e Fábio Assunção, e dos planos de engravidar: "Estou treinando bastante para ter um bebê, mas só depois da novela, pois minha personagem, Marina, não fica grávida". Comunicado oficial
A assessoria da Rede Globo divulgou um comunicado oficial na noite desta quarta-feira (13), comentando o afastamento da atriz Ana Paula Arósio da novela "Insensato Coração", escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares e com direção de núcleo de Dennis Carvalho.
"Ana Paula Arósio, a protagonista escalada para a trama, não compareceu às gravações e, por isso, a direção tomou a decisão de substituir a atriz. O trabalho da produção segue na capital catarinense, enquanto a emissora avalia quem irá assumir o papel de Marina."
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
As gravações da nova novela das 6 de 'Thelma Guedes e Duca Rachid'
As primeiras cenas da nova novela das 18h da Globo — de Thelma Guedes e Duca Rachid — serão gravadas em Toledo, na Espanha. A diretora geral, Amora Mautner, e o diretor de núcleo, Ricardo Waddington, seguirão para lá na próxima semana em busca de locações.
....no castelo
É que a história — passada nos anos 30 — é parcialmente ambientada num castelo. Carmo Dalla Vecchia será o rei. A rainha ainda não foi escolhida. A escalação do elenco começa para valer agora.
...finalmente
Duca e Thelma já entregaram os seis primeiros capítulos, que foram bem avaliados pela direção da Globo. A estreia está prevista para março (não abril, como planejado inicialmente).
....no castelo
É que a história — passada nos anos 30 — é parcialmente ambientada num castelo. Carmo Dalla Vecchia será o rei. A rainha ainda não foi escolhida. A escalação do elenco começa para valer agora.
...finalmente
Duca e Thelma já entregaram os seis primeiros capítulos, que foram bem avaliados pela direção da Globo. A estreia está prevista para março (não abril, como planejado inicialmente).
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Benedito Ruy Barbosa volta à Globo escrevendo minissérie
AUTOR FALA DE SUA SAÚDE E DO NOVO PROJETO SOBRE O POETA BAIANO CASTRO ALVES
Sem apresentar um novo projeto desde 2002, Benedito Ruy Barbosa, 79 anos, prepara-se para voltar à TV. O autor entregou à Globo a sinopse de uma minissérie sobre o poeta Castro Alves (1847-1871). "Pelo que estou sabendo, eles leram e gostaram. Mas, agora, preciso aguardar uma resposta", disse à coluna. "Esperança" (2002-2003) foi a última novela assinada por Barbosa, que deixou o trabalho antes da conclusão. Em 2006, ele sofreu um AVC (acidente vascular cerebral). Sobre o seu atual estado de saúde, Benedito Ruy Barbosa se diz animado. "O médico já me autorizou a voltar ao trabalho, mas de leve. Estou louco para abusar, mas não posso."
Sem apresentar um novo projeto desde 2002, Benedito Ruy Barbosa, 79 anos, prepara-se para voltar à TV. O autor entregou à Globo a sinopse de uma minissérie sobre o poeta Castro Alves (1847-1871). "Pelo que estou sabendo, eles leram e gostaram. Mas, agora, preciso aguardar uma resposta", disse à coluna. "Esperança" (2002-2003) foi a última novela assinada por Barbosa, que deixou o trabalho antes da conclusão. Em 2006, ele sofreu um AVC (acidente vascular cerebral). Sobre o seu atual estado de saúde, Benedito Ruy Barbosa se diz animado. "O médico já me autorizou a voltar ao trabalho, mas de leve. Estou louco para abusar, mas não posso."
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Próximos capítulos de Ti Ti Ti:A Volta de Renato


Com apenas duas semanas no ar, a autora Maria Adelaide Amaral comemorou o sucesso de “Ti ti ti” com uma missa de Ação de Graças. Agora, prestes a completar dois meses, e já com 50 capítulos exibidos, a escritora faz um balanço da divertida trama das sete e adianta: o romance de Marcela (Isis Valverde) e Edgar (Caio Castro) será perturbado no mês que vem pelo retorno de Renato (Guilherme Winter), o pai do filho da mineirinha.
— Renato vai voltar em meados de outubro — conta Maria Adelaide sobre a virada na trama dos personagens que vêm chamando a atenção dos espectadores: — O público adora Ariclenes (Murilo Benício) e Jacques (Alexandre Borges), mas o casal está dando o que falar.
Falando em Ariclenes, Maria Adelaide ainda confirma que a patrocinadora do falso estilista Victor Valentim é mesmo Dona Mocinha (Maria Célia Camargo):
— Dona Mocinha é a patrocinadora de Valentim, mas de onde vem o seu dinheiro é um mistério que só será revelado mais para o fim.
Segredos à parte, Maria Adelaide revela que ficou surpresa mesmo com a aceitação dos gêmeos Mabi (Clara Tiezzi) e Lipe (Davi Lucas) pelo público:
— Eles não têm uma linguagem muito popular. Mas fico feliz, porque Mabi é meu alter ego. É pela voz dela que eu falo — comemora a autora, ainda mais feliz com a média de 30 pontos de audiência: — A gente torce para que seja sucesso, mas é o público que confirma.
— Renato vai voltar em meados de outubro — conta Maria Adelaide sobre a virada na trama dos personagens que vêm chamando a atenção dos espectadores: — O público adora Ariclenes (Murilo Benício) e Jacques (Alexandre Borges), mas o casal está dando o que falar.
Falando em Ariclenes, Maria Adelaide ainda confirma que a patrocinadora do falso estilista Victor Valentim é mesmo Dona Mocinha (Maria Célia Camargo):
— Dona Mocinha é a patrocinadora de Valentim, mas de onde vem o seu dinheiro é um mistério que só será revelado mais para o fim.
Segredos à parte, Maria Adelaide revela que ficou surpresa mesmo com a aceitação dos gêmeos Mabi (Clara Tiezzi) e Lipe (Davi Lucas) pelo público:
— Eles não têm uma linguagem muito popular. Mas fico feliz, porque Mabi é meu alter ego. É pela voz dela que eu falo — comemora a autora, ainda mais feliz com a média de 30 pontos de audiência: — A gente torce para que seja sucesso, mas é o público que confirma.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Sílvio de Abrêu revela segredos de Passione


Que os desenlaces em Passione acontecem em um ritmo acelerado, o público já percebeu.
Mas uma revelação e uma segunda morte vão agitar a trama ainda mais e essa virada você vai acompanhar em breve!
Enquanto isso, o autor Silvio de Abreu dá um gostinho do que está por vir adiantando algumas informações preciosas como, por exemplo, que já houve um assassinato nessa história:
“Nem os personagens, nem o público sabiam disso ainda. Refiro-me ao Eugenio Gouveia (Mauro Mendonça). Logo será descoberto que ele não morreu de infarto, mas de envenenamento”.
Veja o que mais contou Silvio de Abreu em entrevista para o site:
Além de Eugênio, mais alguém vai morrer na trama?
Vai.
Será um assassinato? Motivado por ciúmes ou por ambição?
Nem uma coisa, nem outra.
Seria apenas um assassino ou existem duas ou mais pessoas envolvidas no crime?
É um único assassino (a).
A vinda dos personagens da Itália para o Brasil tem algo a ver com essa morte?
De uma certa maneira tem, mas não é determinante.
Você já disse que existe alguém por trás de Clara e Fred controlando a história. Essa pessoa seria movida por vingança ou ambição?
Confirmo que existe uma pessoa controlando esta história, que evidentemente, sou eu mesmo. Mas, além de mim existe, sim, um personagem controlador. O que o move é um dos segredos da história. Sinto muito, vocês vão ter que esperar para saber.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Autoras de Cama de Gato escaladas para a próxima novela das 6 depois de Araguaia

Duca Rachid e Thelma Guedes foram comunicadas oficialmente pela direção da TV Globo, que será de autoria das duas a substituta de “Araguaia”, de Walther Negrão, no horário das 18 horas.
“Araguaia”, protagonizada por Cleo Pires, Milena Toscano e Murilo Rosa estreia em setembro, na sequência de “Escrito nas Estrelas” e ficará no ar até março. Aí será novamente a vez de Duca Rachid e Thelma Guedes.
O mais curioso é que as autoras conseguiram aprovar uma novela de época, ambientada nos anos 1920, modelo que a Globo tem evitado devido ao alto custo de produção, além de outras dificuldades, como venda de merchandising e também audiência.
Diante disso
Ainda no que diz respeito a este novo trabalho de Duca Rachid e Thelma Guedes para o horário das 18h na Globo, repetindo o mesmo esquema de “Cama de Gato”, Amora Mautner fará a direção-geral da novela. Paola Oliveira e Carmo Dalla Vecchia serão os protagonistas.
Pra arrematar, depois da novela de Duca e Thelma, a Globo, aí sim, apresentará a história rural da dupla Alcides Nogueira e Mário Teixeira.
A própria dupla de escritoras admitia como remota a possibilidade de emplacar o projeto, em função desses fatores, mas havia uma chance, caso fossem observadas semelhanças entre “Araguaia” e o roteiro de Alcides Nogueira e Mario Teixeira, que estava no páreo para substituir Walther Negrão. Não bastasse isso, também não apareceram outros candidatos com projetos mais interessantes.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Entrevista de Gilberto Braga para o blog 'Eu Prefiro Melão'

Por Vitor Santos do blog 'Eu Prefiro Melão'
O nome Gilberto Braga dispensa qualquer apresentação. Seu nome já se tornou sinônimo de excelência em nossa teledramaturgia e referência absoluta pra qualquer pessoa que aspira a escrever telenovela. E mesmo atribulado com os primeiros capítulos de sua próxima novela em parceria com Ricardo Linhares, “Insensato Coração”, Gilberto teve a gentileza e a delicadeza de responder umas breves perguntas exclusivamente para nós. Dentre as breves, mas concisas e precisas respostas, o autor nos revela que ensaiou escrever uma minissérie a partir de “Ligações Perigosas”, sobre a influência da música em seu processo de criação, da contribuição de Aguinaldo Silva para a mítica “Vale Tudo”, entre outros assuntos. Curta, breve, mas deliciosa entrevista.
1) O que podemos esperar de sua próxima novela, “Insensato Coração”?
Quanto menos esperarem melhor pra não se decepcionarem.
2) Suas minisséries são sempre antológicas e marcantes. Pensa em escrever outras? Se sim, já tem alguma ideia em mente?
Não tenho. Gostaria de ter uma idéia bacana como Anos Dourados e Anos Rebeldes. Ainda não tive. Tentei desenvolver uma a partir de Ligações Perigosas do Laclos, mas estava saindo imoral demais, talvez perniciosa, achei melhor desistir. Fico esperando surgir a idéia, não é fácil.
3) A alpinista social talvez seja sua personagem mais recorrente e nenhum outro autor escreve tão bem esse tipo quanto você. Por que essa recorrência e o que acha que mais fascina o público a respeito delas?
É que eu conheço essas mulheres. O fascínio sobre o público deve ser pelo mesmo que sinto, elas são divertidas demais.
4) Como foi a parceria com Aguinaldo Silva em “Vale Tudo”? O que você destacaria como a grande contribuição dele para a novela estilisticamente falando?
Contribuição total. Ele fazia as escaletas, que são a alma da novela, em termos técnicos. E alguns personagens acabaram sendo mais dele do que meus, como a Raquel (Regina Duarte) e seu grupo. Aguinaldo é um autor mais popular do que eu, por isso, acho, Vale Tudo fez tanto sucesso.
5) Alcides Nogueira e Ricardo Linhares foram seus parceiros mais recentes em “Força de um desejo” e “Paraíso Tropical”, respectivamente. Quais as dores e delícias de se criar uma historia em parceria?
Eu já não seria mais capaz de escrever qualquer coisa sozinho. Nem que fosse pela companhia. Meu ídolo Billy Wilder sempre escreveu com um colega.
6) O que o motivou a publicar o roteiro de “Anos rebeldes”?
Interesse do editor, o Paulo Rocco. Ele achava que há um público para o livro que fizemos.
7) Você já declarou que a música está sempre presente em sua vida. Ela o inspira muito no processo de criação? Alguma canção já o inspirou a criar algum personagem, por exemplo?
O melhor exemplo é Isto aqui o que é? do Ari Barroso, para criação da Raquel de Vale Tudo. E Brasil, do Cazuza para a temática geral da mesma novela.
8) Alem de sua conhecida paixão por cinema, você também é fã de séries? Quais suas favoritas?
De longe Sex and the city.
9) O que o Gilberto Braga faz nos momentos em que não está trabalhando?
Eu confundo lazer e trabalho, não separo. Estou sempre trabalhando. E no trabalho tento me divertir, na medida do possível.
10) Na sua opinião, qual o papel da telenovela na vida do brasileiro?
É a única chance do espectador médio ter contato com emoção. A vida do brasileiro é muito dura.
Fonte:Blog 'Eu Prefiro Melão'
http://www.euprefiromelao.blogspot.com
O nome Gilberto Braga dispensa qualquer apresentação. Seu nome já se tornou sinônimo de excelência em nossa teledramaturgia e referência absoluta pra qualquer pessoa que aspira a escrever telenovela. E mesmo atribulado com os primeiros capítulos de sua próxima novela em parceria com Ricardo Linhares, “Insensato Coração”, Gilberto teve a gentileza e a delicadeza de responder umas breves perguntas exclusivamente para nós. Dentre as breves, mas concisas e precisas respostas, o autor nos revela que ensaiou escrever uma minissérie a partir de “Ligações Perigosas”, sobre a influência da música em seu processo de criação, da contribuição de Aguinaldo Silva para a mítica “Vale Tudo”, entre outros assuntos. Curta, breve, mas deliciosa entrevista.
1) O que podemos esperar de sua próxima novela, “Insensato Coração”?
Quanto menos esperarem melhor pra não se decepcionarem.
2) Suas minisséries são sempre antológicas e marcantes. Pensa em escrever outras? Se sim, já tem alguma ideia em mente?
Não tenho. Gostaria de ter uma idéia bacana como Anos Dourados e Anos Rebeldes. Ainda não tive. Tentei desenvolver uma a partir de Ligações Perigosas do Laclos, mas estava saindo imoral demais, talvez perniciosa, achei melhor desistir. Fico esperando surgir a idéia, não é fácil.
3) A alpinista social talvez seja sua personagem mais recorrente e nenhum outro autor escreve tão bem esse tipo quanto você. Por que essa recorrência e o que acha que mais fascina o público a respeito delas?
É que eu conheço essas mulheres. O fascínio sobre o público deve ser pelo mesmo que sinto, elas são divertidas demais.
4) Como foi a parceria com Aguinaldo Silva em “Vale Tudo”? O que você destacaria como a grande contribuição dele para a novela estilisticamente falando?
Contribuição total. Ele fazia as escaletas, que são a alma da novela, em termos técnicos. E alguns personagens acabaram sendo mais dele do que meus, como a Raquel (Regina Duarte) e seu grupo. Aguinaldo é um autor mais popular do que eu, por isso, acho, Vale Tudo fez tanto sucesso.
5) Alcides Nogueira e Ricardo Linhares foram seus parceiros mais recentes em “Força de um desejo” e “Paraíso Tropical”, respectivamente. Quais as dores e delícias de se criar uma historia em parceria?
Eu já não seria mais capaz de escrever qualquer coisa sozinho. Nem que fosse pela companhia. Meu ídolo Billy Wilder sempre escreveu com um colega.
6) O que o motivou a publicar o roteiro de “Anos rebeldes”?
Interesse do editor, o Paulo Rocco. Ele achava que há um público para o livro que fizemos.
7) Você já declarou que a música está sempre presente em sua vida. Ela o inspira muito no processo de criação? Alguma canção já o inspirou a criar algum personagem, por exemplo?
O melhor exemplo é Isto aqui o que é? do Ari Barroso, para criação da Raquel de Vale Tudo. E Brasil, do Cazuza para a temática geral da mesma novela.
8) Alem de sua conhecida paixão por cinema, você também é fã de séries? Quais suas favoritas?
De longe Sex and the city.
9) O que o Gilberto Braga faz nos momentos em que não está trabalhando?
Eu confundo lazer e trabalho, não separo. Estou sempre trabalhando. E no trabalho tento me divertir, na medida do possível.
10) Na sua opinião, qual o papel da telenovela na vida do brasileiro?
É a única chance do espectador médio ter contato com emoção. A vida do brasileiro é muito dura.
Fonte:Blog 'Eu Prefiro Melão'
http://www.euprefiromelao.blogspot.com
Lara com Z

Aguinaldo Silva vai entregar esta semana à Rede Globo um calhamaço de 174 páginas com todos os detalhes de “Lara com Z”, spin off de “Cinquentinha”, que deve ir ao ar em 2011. Como a ideia é que o seriado dure várias temporadas, o autor fez questão de elaborar um projeto minucioso sobre seu novo trabalho.
Alguns atores de “Cinquentinha” já estão certos em “Lara com Z”. Entre eles, além da protagonista, Susana Vieira, estão o ator Pierre Baitelli, que era filho (Carlo) da personagem de Maria Padilha, e Thaís de Campos (Celina), filha de Lara Romero.
Alguns atores de “Cinquentinha” já estão certos em “Lara com Z”. Entre eles, além da protagonista, Susana Vieira, estão o ator Pierre Baitelli, que era filho (Carlo) da personagem de Maria Padilha, e Thaís de Campos (Celina), filha de Lara Romero.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Aguinaldo Silva cria polêmicas na Internet

Como frasista, Aguinaldo Silva é um ótimo novelista. O autor da Globo tem usado o Twitter e seu blog para disparar farpas em todas as direções. Os alvos principais costumam ser os próprios companheiros de emissora. Abaixo, o que de melhor (ou de pior) que Aguinaldo tem dito nos últimos tempos.
"Alexandre Borges é um rapaz esforçado, mas não é nenhuma Brastemp. Tanto não é que eu nunca o chamei para trabalhar em minhas novelas… "
"Se eu tiver que pegar leptospirose, que seja com uma ratazana e não com a merda de um Ratinho."
"É impressão minha, ou Carolina Dieckmann está assim, fazendo a adolescente travessa, meio “Malhação” em “Passione”? "
"Onde arranjaram esse rapazinho louro e descontraído que comanda aquele debate na Globo depois dos jogos da Copa? Eu, hein... Aliás, não é só o rapazinho, tudo nessa Copa é sem graça."
"A média de audiência da primeira semana de “Passione” foi 32. Ai meu Deus, em vez de assinar contrato novo eu devia era ter me aposentado!"
"Alexandre Borges é um rapaz esforçado, mas não é nenhuma Brastemp. Tanto não é que eu nunca o chamei para trabalhar em minhas novelas… "
"Se eu tiver que pegar leptospirose, que seja com uma ratazana e não com a merda de um Ratinho."
"É impressão minha, ou Carolina Dieckmann está assim, fazendo a adolescente travessa, meio “Malhação” em “Passione”? "
"Onde arranjaram esse rapazinho louro e descontraído que comanda aquele debate na Globo depois dos jogos da Copa? Eu, hein... Aliás, não é só o rapazinho, tudo nessa Copa é sem graça."
"A média de audiência da primeira semana de “Passione” foi 32. Ai meu Deus, em vez de assinar contrato novo eu devia era ter me aposentado!"
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Entrevista das autoras Duca Rachid e Thelma Guedes para o blog 'Eu Prefiro Melão'
Duca Rachid à esquerda e Thelma Guedes à direita
DUCA RACHID
Conte como foi o início de sua carreira? Você sempre quis trabalhar como roteirista de televisão? Encontrou dificuldades para entrar nesse mercado que é tão disputado e fechado? (Wesley)
DUCA - Eu sempre fui noveleira, desde criança. A minha geração cresceu vendo novela. Pra mim, uma jovem que vivia na periferia de São Paulo, onde não havia cinema nem teatro, a TV e os livros eram a minha janela para o mundo. Mas lembro de ter manifestado o desejo de fazer TV, vendo “Gabriela” do Walther Durst. Já tinha lido o livro e ver aquilo na TV foi quase que uma epifania! Fiz um caminho bastante tortuoso para chegar aqui. Durante a faculdade de jornalismo, montei uma produtora de vídeo com colegas, fiz institucionais e gravei até casamentos! Mas só comecei a trabalhar mesmo como roteirista em Portugal, onde morei por seis anos. Lá conheci um roteirista brasileiro, o Jayme Camargo, que estava montando uma produtora com um sócio português. Ele tinha projetos para a RTP e precisava de alguém que o ajudasse. Foi assim que eu comecei. O Jayme me ensinou os rudimentos do roteiro, e me permitiu errar muito e aprender com os erros. Com ele, escrevi séries infantis, juvenis, uma série gravada na África e até um sitcom, com a Tônia Carreiro e o Zé de Abreu, dirigido pelo Cecil Thiré. Infelizmente, nunca cheguei a ver nenhum desses dois programas.
Em 1993, você foi uma das autoras da novela portuguesa “A Banqueira do Povo”, baseada em fatos reais ocorridos na década de 80 e até hoje considerada uma das melhores novelas de Portugal. Como foi esse trabalho que teve Walter Avancini como um dos produtores? (Wesley)
DUCA - Pois então, de posse desses programas que tinha feito com o Jayme, fui procurar o Avancini que, na época, estava também montando uma produtora. Ele gostou do meu trabalho e me chamou para integrar a equipe da “Banqueira”, que era encabeçada pela escritora Patrícia Melo. Foi minha primeira novela e aprendi muito com a Patrícia e com o Maurício Arruda, que também fazia parte da equipe e já tinha feito muita coisa como colaborador do Carlos Lombardi. A “Banqueira” não era um folhetim tradicional. Mais parecia uma minissérie. Era uma história forte, sensacional! Representativa de como foi a passagem de Portugal, do socialismo ao capitalismo. Foi um trabalho duro, o Avancini era muito exigente. Mas era fascinante vê-lo trabalhar. Ele tinha sacadas geniais! Aprendi muito com ele. Sou muito agradecida ao Avancini, que sempre me chamava para participar dos seus projetos. Senti muito quando ele se foi.
Você foi uma das responsáveis pela adaptação do livro “Tocaia Grande” para a TV. Como foi contar com a supervisão de Walter George Durst? Houve dificuldades na realização desse trabalho num momento em que a Manchete passava por dificuldades financeiras e retomava a produção de telenovelas? (Wesley)
DUCA - Eu tive sorte, muita sorte, comecei pelas mãos de grandes mestres da teledramaturgia. O Dürst foi um deles. E o que mais me marcou. Não há um dia sequer na minha vida que eu não me lembre, que eu não recorra aos ensinamentos do Dürst. “Tocaia Grande” foi uma novela formadora pra mim. Aí sim, acho que entendi o que é fazer novela. E, além do Dürst, tive oportunidade de trabalhar também com o Marcos Lazarini e o Mário Teixeira, grandes autores e amigos. Quanto a trabalhar na TV Manchete, era ótimo! A família Bloch tinha um apreço muito grande pelas artes, pela literatura. Valorizava muito o nosso trabalho. E as dificuldades não foram maiores do que as que existem em qualquer produção. “Tocaia Grande” reinaugurou a teledramaturgia da Manchete e abriu espaço para grandes sucesso como, por exemplo, Xica da Silva.
Ao escrever remakes de obras de sucesso como “Os ossos do barão” e “O profeta”, qual o limite entre preservar o estilo da trama original e imprimir um diferencial em relação a ela? (Vitor)
DUCA - O Dürst sempre dizia que adaptar “é trair por amor”. É claro que você tem que manter minimamente a história, mas sempre há mudanças que precisam ser feitas para estar de acordo com o contexto histórico em que a trama se passa, e também para “dialogar” com o público de hoje. “O Profeta” foi um exemplo claro disso. Originalmente a novela se passou na década de 70 e tivemos que adaptá-la para a década de 50. Por isso o protagonista (que teve o nome alterado para Marcos, pois já havia um Daniel no ar) teve que mudar. O Daniel da década de 70 era muito mais irreverente do que o Marcos, pois a irreverência estava em pauta, naquela época de grandes revoluções no comportamento. Outra coisa: o impedimento amoroso da história original, que era o fato do mocinho vender seus poderes, não era mais considerado como tal, pelo público atual. Ninguém entendia porque a Sônia não queria que o Marcos vendesse seus poderes. Desde que ele não prejudicasse ninguém, achavam que não havia nenhum mal nisso. Ou seja, o que era uma questão ética, moral, na década de 70, em 2000, deixou de ser. Então tivemos que criar um impedimento concreto para o amor de Marcos e Sônia; o Clóvis, um psicopata, que prendia a mocinha no sótão. Impedia o contato físico mesmo entre ele e ela.
Você esteve ao lado de Walcyr Carrasco na estreia dele na Globo com “O cravo e a rosa”. Como se deu esse encontro e que tal a experiência? (Vitor)
Adriana Esteves e Eduardo Moscóvis em "O cravo e a rosa" (2000)
DUCA - Pois é, quem me recomendou ao Walcyr, quando ele foi para a Globo, foi o Avancini. Mais uma que devo a ele. Na verdade, eu já conhecia o Walcyr, da minha passagem pelo SBT. Quando ele foi para a Globo, me chamou. E foi outro grande aprendizado trabalhar com o Walcyr. Um autor de um talento enorme, que conhece seu público como ninguém. E tem uma capacidade de trabalho invejável! Tudo isso sem perder o bom humor. Com o Walcyr aprendi, por exemplo, que, mesmo que a novela seja de época, ela tem que falar ao público de hoje.
Como é a sua rotina quando está trabalhando? A Duca como mãe e esposa é diferente da Duca autora de novelas? (Wesley)
DUCA - Não dá pra separar não. Tem quem ser mãe, esposa e autora de novelas, tudo ao mesmo tempo. É exasperante às vezes. Mas a vida não pára quando você faz novela. Os filhos crescem, os pais envelhecem, os amigos e parentes continuam sentindo a sua falta e solicitando você. Não tem jeito: quando a novela acaba, você se depara com milhões de coisas que ficaram pra trás e têm que ser feitas. Desde ir ao dentista, ao médico, ao cartório, ajudar a sua mãe na mudança, até reencontrar os amigos. A gente leva pelo menos uns seis meses botando a agenda em dia. Só então pode descansar e carregar as baterias para pensar na próxima.
___________________________________________________________________________
THELMA GUEDES
Você acredita que a sua formação acadêmica em Letras e o mestrado em Literatura Brasileira foram fundamentais para a sua entrada na televisão? Sempre pensou em escrever roteiros? (Wesley)
THELMA - Posso dizer que o tempo em que estive na universidade, tanto na graduação, quanto na pós, foi um dos momentos mais felizes e importantes da minha vida. Fundamental pra minha relação com a literatura. Desde criança, eu sempre li muito, mas indiscriminadamente e sem um olhar crítico. Na universidade, eu deixei de ser uma leitora ingênua. Isso é de grande valia para quem deseja se tornar escritor (seja qual for a natureza da sua obra). Quem quer ser escritor tem que ler muito mesmo. Mas não acho que seja imprescindível passar pela universidade. No meu caso, foi importantíssimo. A universidade me deu muita segurança. Eu adoro aprender, estudar. E escrever pra mim é como respirar! Mas nunca imaginei que escreveria roteiros e trabalharia em televisão, até que a oportunidade apareceu. Eu não deixei escapar. Meu grande sonho sempre foi, desde muito pequena, ser escritora, viver disso. Mas o meu primeiro roteiro foi o que enviei para a seleção da Oficina da Globo. E logo percebi que eu me sentia muito à vontade como roteirista.
Você entrou na TV Globo através da Oficina de Roteiristas que a emissora promove esporadicamente. Conte como foi o seu ingresso e a sua trajetória durante o tempo em que participou dos projetos até ser convocada como colaboradora na novela “Vila Madalena”. (Wesley)
THELMA - Eu estava terminando o mestrado em Literatura Brasileira, trabalhando na Editora da USP e prestes a lançar meu primeiro livro de contos, quando deparei com um aviso sobre a Oficina da Globo, no mural da universidade. A princípio, achei que era uma oficina comum, apenas para ensinar a técnica de roteiro. Não sabia que haveria uma seleção e que alguns seriam contratados. Eu me inscrevi para aprender a escrever roteiros e ponto. Sem ansiedade e pretensão. Participei de um processo seletivo pesado, em que de 700 inscritos, apenas três foram contratados. Me entreguei de corpo e alma a esse aprendizado, tendo que continuar a trabalhar e a terminar a pós. Foi uma loucura, mas quanto mais eu aprendia a técnica de roteiro, quanto mais eu escrevia, mas me apaixonava por esse jeito de escrever e me expressar. Nessa oficina, coordenada pelo Flavio de Campos, eu aprendi a base de tudo o que eu sei de roteiro de televisão. Eu devo muito a ele. Assim, em 1997, no mesmo dia em que recebi a notícia de que seria contratada, eu lancei o meu primeiro livro. No mesmo dia! Foi demais! Depois que eu entrei na Globo, fiquei um tempinho esperando um chamado para trabalhar. Foi ótimo, porque nesses quatro meses em que não trabalhei, eu consegui terminar de escrever a minha dissertação, entregar e defender. Depois fui chamada pra trabalhar no programa matutino da Angélica. E não parei mais, fui emendando um trabalho no outro. Um colega me indicou pra colaborar na novela do Negrão. Quando a novela acabou, eu corri atrás de um colega de oficina, que estava fazendo o texto final do programa do Renato Aragão, A Turma do Didi. Depois, trabalhei lendo livros e dando pareceres. Imagina que delícia ganhar para ler! Aí, eu conheci o Walcyr quando eu organizei umas palestras. Ele me chamou pra colaborar com ele no Sítio do Picapau Amarelo. Aí, eu colaborei direto com ele: Esperança, Chocolate com Pimenta e Alma Gêmea. Até ele me indicar com a Duca pro Profeta.
Sua incursão na literatura, já rendeu diversos livros, além de participação em coletâneas, como “Novelas, Espelhos e um Pouco de Choro” (Ateliê Editorial/ 1999). Você se considera uma escritora que virou roteirista ou uma roteirista que virou escritora? Algumas vezes, as idéias que você tem para um livro interferem na criação para uma novela? (Wesley)
THELMA - Eu me considero uma escritora. Escritores podem escrever livros, novelas de tv, roteiros de cinema, peças de teatro, etc. Roteirista é escritor. É como eu vejo. Na verdade, acho que o imaginário de um escritor, suas ideias, seus ideais, sua ideologia, seu modo de ver a vida, o que ele quer dizer pro mundo está em tudo que ele escreve: livro, roteiro, crônica de jornal, peça de teatro, qualquer coisa. Não acho que seja “interferência”, acho que é a “essência” da escrita de cada escritor, que passeia ente um ou outro gênero. Mas o que eu quero sempre é comunicar a minha visão de mundo. Ela está em todas as histórias que eu quero contar, seja nos livros ou na televisão.
Você faz parte da AR – Associação dos Roteiristas. Na sua opinião, qual a importância de entidades desse tipo para a valorização da classe? (Vitor)
AR-Associação dos Roteiristas
THELMA - Em primeiro lugar, a associação tem um papel super importante, de permitir que a gente se conheça. Porque escritor é um sujeito que, até por força da profissão, acaba ficando muito isolado, solitário, fechado entre quatro paredes, sem contato com outros que fazem a mesma coisa que ele. A troca de experiências e o debate com os colegas é fundamental, mesmo no plano puramente artístico, estético. E claro que a união nos fortalece como classe! No começo da AR, eu tinha tempo para trabalhar muito pela associação, na sua divulgação, promovendo cursos, workshops, palestras, debates. Foi um momento muito interessante e feliz. Conheci muita gente e fiz grandes amigos.
Você foi colaboradora de Walcyr Carrasco em grandes sucessos do autor como “Alma gêmea” e “Chocolate com pimenta” (foto). Como é trabalhar com o autor e o que há de Thelma Guedes nessas novelas? (Vitor)
THELMA - Eu tenho uma tese sobre colaborar em novela: o melhor colaborador é aquele que, quando escreve, tenta escrever como o próprio autor escreveria. Colaborador é alguém que deve deixar o autor livre o máximo possível para escrever melhor e melhor. Acho essencial que se entenda esse limite entre escrever a própria novela e colaborar na novela de outro autor. Posso dizer com orgulho que nessas novelas do Walcyr o que tem de Thelma Guedes é o empenho de fazer o Walcyr ser o melhor Walcyr possível. Pra mim, o colaborador é um rede de segurança para que o autor possa se soltar. Eu era aquela colaboradora que me preocupava com a memória da novela, com a coerência das personagens, com a continuidade estrutural dela. Eu enchia o saco do Walcyr às vezes, quando achava que um capítulo não tinha o brilho que é próprio do Walcyr. Eu ajudava nos problemas de produção, na edição, quando o capítulo ficava grande. Tomando conta para que os ganchos não se perdessem, ou para que falas importantes não fossem cortadas. Eu era uma colaboradora que realmente colaborava. Porque eu não queria escrever a novela que não era a minha novela. Eu queria deixar o caminho livre pro Walcyr escrever melhor novela . Hoje eu estou do outro lado e espero dos nossos colaboradores exatamente isso. E temos muita sorte. Nossos colaboradores são os melhores que existem!!!
Como é a Thelma quando está trabalhando? Sua rotina muda em relação à família? (Wesley)
THELMA - Eu tenho a felicidade de ter total apoio do meu marido e das minhas enteadas (que são como filhas). Quando estamos no ar com alguma novela, a rotina é bem dura, eu fico 24 horas ligada no trabalho. Até dormindo eu sonho com a novela. Fico pendurada no computador, telefone, televisão. Quando trabalho em casa, o ambiente fica tomado pelo meu trabalho. Por isso mesmo, Duca e eu fazemos reuniões diárias num escritório fora de nossas casas, num escritório, num flat. Mas o que é bacana é que a minha familia compreende, respeita, incentiva, torce. E todos assistem religiosamente a novela que estou escrevendo. Meu marido, que é um intelectual e não assistia televisão antes, assiste tudo que eu faço, desde o primeiro programa infantil que eu escrevi.
_______________________________________________________________________
THELMA E DUCA
Como surgiu a dupla Duca e Thelma? (Vitor)
Thelma: O Walcyr Carrasco foi chamado para supervisionar o remake da novela O Profeta. E ele nos juntou para escrevê-la. O Walcyr é o culpado! RS
Duca: Coitado do Walcyr! Vai ter que espiar essa culpa pro resto da vida...
Vocês acham que esse esquema de parceria entre autores titulares pode ser uma nova forma de escrever novela num futuro próximo? Quais as maiores vantagens e desvantagens? (Wesley)
Thelma: Na criação não pode haver fórmula. A escrita em dupla, no mesmo pé de igualdade, com duas pessoas decidindo tudo, depende de uma sintonia muito grande, que não pode ser forjada. Ela existe ou não.
Duca: É isso aí. Podemos falar pela nossa experiência. No nosso caso, a gente tem se dado bem escrevendo juntas. Tem dado certo. Assim temos conseguido uma dinâmica que não sei se conseguiríamos sozinhas. Talvez sim, não sei... Mas acho que não é uma fórmula pra todo mundo não. E isso também não significa que a gente não possa trabalhar em separado, por um tempo. Pra depois se juntar de novo, rapidinho... (rsrsrsrs)
Até que ponto a supervisão de texto influencia no trabalho do autor? (Vitor)
Thelma: Se a supervisão influenciar, ela deixa de ser supervisão e passa a ser intromissão na obra alheia. O supervisor deve ser um apoiador, questionador, “alertador” para possíveis riscos que o autor está correndo. Pode e deve sugerir, mas sempre respeitando o universo e estilo do autor.
Duca: Pois é, o trabalho do supervisor é difícil porque tá nesse fio de navalha. O supervisor tem que se valer da experiência para te apontar falhas e dar dicas do que pode ser a melhor maneira de conduzir o trabalho. Mas tem que deixar que você escreva a sua novela. Não dá pro supervisor querer que você escreva a novela “dele”.
Como é a divisão de trabalho entre vocês e seus colaboradores? (Vitor)
Thelma: Nós duas costumamos nos reunir diariamente para bolar os acontecimentos da história e escaletar os capítulos. Os colaboradores escrevem as cenas. Depois uma de nós junta as cenas e faz uma edição (mudando, acrescentando, cortando). Em seguida, a outra lê e faz o texto final. Aí a gente manda pros colaboradores lerem, verem erros, fazerem criticas e darem ideias. Estamos sempre abertas para ouvir o que eles têm a dizer. Aproveitamos ideias. Às vezes, chegamos a reescrever, mudando o rumo das coisas por causa de uma sugestão ou crítica. Porque o que nos interessa é sempre o melhor produto.
Houve tentativas de emplacar sinopses de suas autorias antes de entrar para o hall de autores titulares da Globo? Receberam muitos “não”? (Wesley)
Thelma: Antes de O Profeta , a Duca era autora do Sítio do Picapau Amarelo. Já estava se aproximando dessa entrada no time de autores de novela. Mas eu confesso que não imaginava que isso pudesse acontecer tão logo pra mim. Por isso, apesar de ter escrito algumas sinopses pra minha gaveta, eu não as enviava para a direção, porque eu sabia que ninguém ia se interessar por elas ainda. A minha intenção era consolidar a carreira de colaboradora, para dar o próximo passo, no momento certo. O momento certo veio antes, naturalmente.
Duca: Eu já tinha sim, arriscado mandar algumas sinopses. Hoje posso avaliar melhor e saber que algumas precisavam ser retrabalhadas, talvez por isso não tenham sido aceitas. Mas valeu pelo exercício. E muitas das idéias daquelas sinopses podem ser reaproveitadas no futuro.
Como vocês, autoras dessa nova geração, veem a novela do futuro? Como seria a novela perfeita? (Wesley)
Thelma: Acho que a novela do futuro vai ter que se adequar às novas mídias que estão surgindo. Talvez mais curta, ágil e interativa. Mas acredito que esse gênero resistirá a todas as mudanças tecnológicas e comportamentais que estão por vir. Porque desde que o mundo é mundo, o homem adora e precisa de uma boa narrativa ficcional. Quanto à novela perfeita, ela não existe, porque não existe perfeição. Mas a “quase perfeita” é aquela que consegue se comunicar com o público, que entretém, emociona e, ao mesmo tempo, consegue introduzir o espectador no universo sublime da arte.
Duca: Acho sim que a novela vai ter que ser mais curta, mais ágil, interativa, com personagens menos maniqueístas. Mas a essência do folhetim deve permanecer. Quando a novela perfeita, eu só consigo me lembrar daquela música do Gil: “...a perfeição é uma meta, defendida pelo goleiro , que joga na seleção, e eu não sou Pelé nem nada, se muito for, eu sou um Tostão. Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão...” Emocionando e entretendo já tá muito bom!
“Cama de Gato” pode ser considerada como uma “prova de fogo” no intuito de avaliar a carreira de vocês duas na Globo? Tiveram algum receio de que o projeto não tivesse os resultados desejados pela empresa? (Wesley)
Thelma: Claro que, como nosso primeiro projeto original, a “Cama” acabou sendo um aval pra gente. Mas eu sempre confiei muito nessa história, porque ela estava calcado numa base humana, existencial forte e verdadeira. Nós duas tínhamos o que dizer e acreditávamos nisso. E eu não ficava pensando nos resultados, mas no processo. Quando eu trabalho, procuro me concentrar no que estou fazendo. Se vc faz o melhor que pode, vc precisa confiar e ir em frente, com entusiasmo e sem medo. Senão, melhor nem se meter a escrever a sinopse.
Duca: Claro que sempre dá um friozinho na barriga. Novela é um jogo. Por mais que você confie no projeto, há sempre o imponderável. E se você ficar pensando muito no que pode não dar certo, não consegue seguir adiante. Tem que ter uma história boa na mão, que tenha força, fôlego, verdade, e tocar o barco, com coragem, da maneira mais honesta possível, dando o seu melhor.
Vocês têm projetos para escrever em outros formatos como minisséries, especiais e seriados? (Wesley)
Thelma: Aos montes... rs
Vocês são noveleiras? Se, sim, quais as suas favoritas? Na opinião de vocês o que o gênero “Telenovela” representa em nosso país? (Vitor)
Thelma: Sou noveleira de carteirinha, desde que me entendo por gente. As favoritas são Beto Rockfeller, Roque Santeiro, Saramandaia, Irmãos Coragem, Pecado Capital, Dancing Days, Vale Tudo, Guerra dos Sexos... Ai, as minhas favoritas são tantas, que eu ficaria aqui o dia todo elencando... A novela de televisão é um gênero que está tão incorporado ao nosso universo, que é quase um patrimônio nacional. É um importante meio de informação e entretenimento para a população. E é uma expressão do imaginário popular brasileiro.
Duca: É isso aí! A Thelma disse tudo. Eu só acrescentaria que a telenovela brasileira é um gênero único no mundo. Ninguém faz telenovela como a gente. Eu também sou muito noveleira. Minhas favoritas são todas essas que a Thelma citou mais Gabriela, O Feijão e o Sonho, Top Model, Rainha da sucata, Nina, Bebê a Bordo, Uga-Uga.... Ah! São tantas...! Não dá pra falar de todas aqui.
Que dicas e conselhos dariam a jovens que aspiram a trabalhar na TV?(Vitor)
Thelma: Acho que a primeira coisa é ler muito, estudar e se preparar. E buscar uma avaliação imparcial de outros sobre sua real capacidade e talento. Não adianta a pessoa se achar um gênio. É necessário que haja o reconhecimento dos outros. A melhor maneira é fazer oficinas, cursos.
Duca: Ler, ver, ouvir, viver. Estar antenado às oportunidades de cursos e oficinas. Perseverança e uma boa dose de sorte também ajudam. No mais, é saber deixar o ego em casa na hora de ouvir as críticas. Televisão é um trabalhado de equipe. Todo mundo contribui, o diretor, o colaborador, o ator, o produtor... É importante saber ouvir e incorporar as boas idéias.
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Thelma Guedes por Duca Rachid (Vitor)
DUCA - Ah, a Thelma é minha melhor amiga. Minha parceira e agora minha comadre também, pois acabou de batizar minha filha. Eu tenho a maior admiração por ela, pelo talento, pela capacidade de trabalho e também pela sua conduta ética e moral. A Thelma é muito melhor do que eu como escritora. Eu tenho que quebrar muita pedra pra chegar lá. A Thelma não, ela é uma artista de verdade. Ela tem o chamado da arte dentro dela. Tem livros maravilhosos, que deviam ser mais conhecidos.
Duca Rachid por Thelma Guedes (Vitor)
Thelma- Uma irmã gêmea univitelina que caiu do céu (rs). A melhor parceira de trabalho que eu poderia ter (aliás, a única possível, porque eu sou uma chata de galocha e só ela pra me agüentar...). A Duca é um escritora com E maiúsculo: talentosa, iluminada, brilhante, entusiasmada, incansável. Eu tenho uma imensa admiração por ela. E o que a faz ser maior e melhor é justamente a simplicidade, a humildade, o desapego. Confesso que eu tenho muito o que aprender com ela. Mas um dia eu chego lá!
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Por:Vítor Santos e Wesley Vieira
Fonte:Blog 'Eu Prefiro Melão'
http://www.euprefiromelao.blogspot.com

DUCA RACHID
Conte como foi o início de sua carreira? Você sempre quis trabalhar como roteirista de televisão? Encontrou dificuldades para entrar nesse mercado que é tão disputado e fechado? (Wesley)
DUCA - Eu sempre fui noveleira, desde criança. A minha geração cresceu vendo novela. Pra mim, uma jovem que vivia na periferia de São Paulo, onde não havia cinema nem teatro, a TV e os livros eram a minha janela para o mundo. Mas lembro de ter manifestado o desejo de fazer TV, vendo “Gabriela” do Walther Durst. Já tinha lido o livro e ver aquilo na TV foi quase que uma epifania! Fiz um caminho bastante tortuoso para chegar aqui. Durante a faculdade de jornalismo, montei uma produtora de vídeo com colegas, fiz institucionais e gravei até casamentos! Mas só comecei a trabalhar mesmo como roteirista em Portugal, onde morei por seis anos. Lá conheci um roteirista brasileiro, o Jayme Camargo, que estava montando uma produtora com um sócio português. Ele tinha projetos para a RTP e precisava de alguém que o ajudasse. Foi assim que eu comecei. O Jayme me ensinou os rudimentos do roteiro, e me permitiu errar muito e aprender com os erros. Com ele, escrevi séries infantis, juvenis, uma série gravada na África e até um sitcom, com a Tônia Carreiro e o Zé de Abreu, dirigido pelo Cecil Thiré. Infelizmente, nunca cheguei a ver nenhum desses dois programas.
Em 1993, você foi uma das autoras da novela portuguesa “A Banqueira do Povo”, baseada em fatos reais ocorridos na década de 80 e até hoje considerada uma das melhores novelas de Portugal. Como foi esse trabalho que teve Walter Avancini como um dos produtores? (Wesley)
DUCA - Pois então, de posse desses programas que tinha feito com o Jayme, fui procurar o Avancini que, na época, estava também montando uma produtora. Ele gostou do meu trabalho e me chamou para integrar a equipe da “Banqueira”, que era encabeçada pela escritora Patrícia Melo. Foi minha primeira novela e aprendi muito com a Patrícia e com o Maurício Arruda, que também fazia parte da equipe e já tinha feito muita coisa como colaborador do Carlos Lombardi. A “Banqueira” não era um folhetim tradicional. Mais parecia uma minissérie. Era uma história forte, sensacional! Representativa de como foi a passagem de Portugal, do socialismo ao capitalismo. Foi um trabalho duro, o Avancini era muito exigente. Mas era fascinante vê-lo trabalhar. Ele tinha sacadas geniais! Aprendi muito com ele. Sou muito agradecida ao Avancini, que sempre me chamava para participar dos seus projetos. Senti muito quando ele se foi.
Você foi uma das responsáveis pela adaptação do livro “Tocaia Grande” para a TV. Como foi contar com a supervisão de Walter George Durst? Houve dificuldades na realização desse trabalho num momento em que a Manchete passava por dificuldades financeiras e retomava a produção de telenovelas? (Wesley)
DUCA - Eu tive sorte, muita sorte, comecei pelas mãos de grandes mestres da teledramaturgia. O Dürst foi um deles. E o que mais me marcou. Não há um dia sequer na minha vida que eu não me lembre, que eu não recorra aos ensinamentos do Dürst. “Tocaia Grande” foi uma novela formadora pra mim. Aí sim, acho que entendi o que é fazer novela. E, além do Dürst, tive oportunidade de trabalhar também com o Marcos Lazarini e o Mário Teixeira, grandes autores e amigos. Quanto a trabalhar na TV Manchete, era ótimo! A família Bloch tinha um apreço muito grande pelas artes, pela literatura. Valorizava muito o nosso trabalho. E as dificuldades não foram maiores do que as que existem em qualquer produção. “Tocaia Grande” reinaugurou a teledramaturgia da Manchete e abriu espaço para grandes sucesso como, por exemplo, Xica da Silva.
Ao escrever remakes de obras de sucesso como “Os ossos do barão” e “O profeta”, qual o limite entre preservar o estilo da trama original e imprimir um diferencial em relação a ela? (Vitor)
DUCA - O Dürst sempre dizia que adaptar “é trair por amor”. É claro que você tem que manter minimamente a história, mas sempre há mudanças que precisam ser feitas para estar de acordo com o contexto histórico em que a trama se passa, e também para “dialogar” com o público de hoje. “O Profeta” foi um exemplo claro disso. Originalmente a novela se passou na década de 70 e tivemos que adaptá-la para a década de 50. Por isso o protagonista (que teve o nome alterado para Marcos, pois já havia um Daniel no ar) teve que mudar. O Daniel da década de 70 era muito mais irreverente do que o Marcos, pois a irreverência estava em pauta, naquela época de grandes revoluções no comportamento. Outra coisa: o impedimento amoroso da história original, que era o fato do mocinho vender seus poderes, não era mais considerado como tal, pelo público atual. Ninguém entendia porque a Sônia não queria que o Marcos vendesse seus poderes. Desde que ele não prejudicasse ninguém, achavam que não havia nenhum mal nisso. Ou seja, o que era uma questão ética, moral, na década de 70, em 2000, deixou de ser. Então tivemos que criar um impedimento concreto para o amor de Marcos e Sônia; o Clóvis, um psicopata, que prendia a mocinha no sótão. Impedia o contato físico mesmo entre ele e ela.
Você esteve ao lado de Walcyr Carrasco na estreia dele na Globo com “O cravo e a rosa”. Como se deu esse encontro e que tal a experiência? (Vitor)
Adriana Esteves e Eduardo Moscóvis em "O cravo e a rosa" (2000)
DUCA - Pois é, quem me recomendou ao Walcyr, quando ele foi para a Globo, foi o Avancini. Mais uma que devo a ele. Na verdade, eu já conhecia o Walcyr, da minha passagem pelo SBT. Quando ele foi para a Globo, me chamou. E foi outro grande aprendizado trabalhar com o Walcyr. Um autor de um talento enorme, que conhece seu público como ninguém. E tem uma capacidade de trabalho invejável! Tudo isso sem perder o bom humor. Com o Walcyr aprendi, por exemplo, que, mesmo que a novela seja de época, ela tem que falar ao público de hoje.
Como é a sua rotina quando está trabalhando? A Duca como mãe e esposa é diferente da Duca autora de novelas? (Wesley)
DUCA - Não dá pra separar não. Tem quem ser mãe, esposa e autora de novelas, tudo ao mesmo tempo. É exasperante às vezes. Mas a vida não pára quando você faz novela. Os filhos crescem, os pais envelhecem, os amigos e parentes continuam sentindo a sua falta e solicitando você. Não tem jeito: quando a novela acaba, você se depara com milhões de coisas que ficaram pra trás e têm que ser feitas. Desde ir ao dentista, ao médico, ao cartório, ajudar a sua mãe na mudança, até reencontrar os amigos. A gente leva pelo menos uns seis meses botando a agenda em dia. Só então pode descansar e carregar as baterias para pensar na próxima.
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THELMA GUEDES
Você acredita que a sua formação acadêmica em Letras e o mestrado em Literatura Brasileira foram fundamentais para a sua entrada na televisão? Sempre pensou em escrever roteiros? (Wesley)
THELMA - Posso dizer que o tempo em que estive na universidade, tanto na graduação, quanto na pós, foi um dos momentos mais felizes e importantes da minha vida. Fundamental pra minha relação com a literatura. Desde criança, eu sempre li muito, mas indiscriminadamente e sem um olhar crítico. Na universidade, eu deixei de ser uma leitora ingênua. Isso é de grande valia para quem deseja se tornar escritor (seja qual for a natureza da sua obra). Quem quer ser escritor tem que ler muito mesmo. Mas não acho que seja imprescindível passar pela universidade. No meu caso, foi importantíssimo. A universidade me deu muita segurança. Eu adoro aprender, estudar. E escrever pra mim é como respirar! Mas nunca imaginei que escreveria roteiros e trabalharia em televisão, até que a oportunidade apareceu. Eu não deixei escapar. Meu grande sonho sempre foi, desde muito pequena, ser escritora, viver disso. Mas o meu primeiro roteiro foi o que enviei para a seleção da Oficina da Globo. E logo percebi que eu me sentia muito à vontade como roteirista.
Você entrou na TV Globo através da Oficina de Roteiristas que a emissora promove esporadicamente. Conte como foi o seu ingresso e a sua trajetória durante o tempo em que participou dos projetos até ser convocada como colaboradora na novela “Vila Madalena”. (Wesley)
THELMA - Eu estava terminando o mestrado em Literatura Brasileira, trabalhando na Editora da USP e prestes a lançar meu primeiro livro de contos, quando deparei com um aviso sobre a Oficina da Globo, no mural da universidade. A princípio, achei que era uma oficina comum, apenas para ensinar a técnica de roteiro. Não sabia que haveria uma seleção e que alguns seriam contratados. Eu me inscrevi para aprender a escrever roteiros e ponto. Sem ansiedade e pretensão. Participei de um processo seletivo pesado, em que de 700 inscritos, apenas três foram contratados. Me entreguei de corpo e alma a esse aprendizado, tendo que continuar a trabalhar e a terminar a pós. Foi uma loucura, mas quanto mais eu aprendia a técnica de roteiro, quanto mais eu escrevia, mas me apaixonava por esse jeito de escrever e me expressar. Nessa oficina, coordenada pelo Flavio de Campos, eu aprendi a base de tudo o que eu sei de roteiro de televisão. Eu devo muito a ele. Assim, em 1997, no mesmo dia em que recebi a notícia de que seria contratada, eu lancei o meu primeiro livro. No mesmo dia! Foi demais! Depois que eu entrei na Globo, fiquei um tempinho esperando um chamado para trabalhar. Foi ótimo, porque nesses quatro meses em que não trabalhei, eu consegui terminar de escrever a minha dissertação, entregar e defender. Depois fui chamada pra trabalhar no programa matutino da Angélica. E não parei mais, fui emendando um trabalho no outro. Um colega me indicou pra colaborar na novela do Negrão. Quando a novela acabou, eu corri atrás de um colega de oficina, que estava fazendo o texto final do programa do Renato Aragão, A Turma do Didi. Depois, trabalhei lendo livros e dando pareceres. Imagina que delícia ganhar para ler! Aí, eu conheci o Walcyr quando eu organizei umas palestras. Ele me chamou pra colaborar com ele no Sítio do Picapau Amarelo. Aí, eu colaborei direto com ele: Esperança, Chocolate com Pimenta e Alma Gêmea. Até ele me indicar com a Duca pro Profeta.
Sua incursão na literatura, já rendeu diversos livros, além de participação em coletâneas, como “Novelas, Espelhos e um Pouco de Choro” (Ateliê Editorial/ 1999). Você se considera uma escritora que virou roteirista ou uma roteirista que virou escritora? Algumas vezes, as idéias que você tem para um livro interferem na criação para uma novela? (Wesley)
THELMA - Eu me considero uma escritora. Escritores podem escrever livros, novelas de tv, roteiros de cinema, peças de teatro, etc. Roteirista é escritor. É como eu vejo. Na verdade, acho que o imaginário de um escritor, suas ideias, seus ideais, sua ideologia, seu modo de ver a vida, o que ele quer dizer pro mundo está em tudo que ele escreve: livro, roteiro, crônica de jornal, peça de teatro, qualquer coisa. Não acho que seja “interferência”, acho que é a “essência” da escrita de cada escritor, que passeia ente um ou outro gênero. Mas o que eu quero sempre é comunicar a minha visão de mundo. Ela está em todas as histórias que eu quero contar, seja nos livros ou na televisão.
Você faz parte da AR – Associação dos Roteiristas. Na sua opinião, qual a importância de entidades desse tipo para a valorização da classe? (Vitor)
AR-Associação dos Roteiristas
THELMA - Em primeiro lugar, a associação tem um papel super importante, de permitir que a gente se conheça. Porque escritor é um sujeito que, até por força da profissão, acaba ficando muito isolado, solitário, fechado entre quatro paredes, sem contato com outros que fazem a mesma coisa que ele. A troca de experiências e o debate com os colegas é fundamental, mesmo no plano puramente artístico, estético. E claro que a união nos fortalece como classe! No começo da AR, eu tinha tempo para trabalhar muito pela associação, na sua divulgação, promovendo cursos, workshops, palestras, debates. Foi um momento muito interessante e feliz. Conheci muita gente e fiz grandes amigos.
Você foi colaboradora de Walcyr Carrasco em grandes sucessos do autor como “Alma gêmea” e “Chocolate com pimenta” (foto). Como é trabalhar com o autor e o que há de Thelma Guedes nessas novelas? (Vitor)
THELMA - Eu tenho uma tese sobre colaborar em novela: o melhor colaborador é aquele que, quando escreve, tenta escrever como o próprio autor escreveria. Colaborador é alguém que deve deixar o autor livre o máximo possível para escrever melhor e melhor. Acho essencial que se entenda esse limite entre escrever a própria novela e colaborar na novela de outro autor. Posso dizer com orgulho que nessas novelas do Walcyr o que tem de Thelma Guedes é o empenho de fazer o Walcyr ser o melhor Walcyr possível. Pra mim, o colaborador é um rede de segurança para que o autor possa se soltar. Eu era aquela colaboradora que me preocupava com a memória da novela, com a coerência das personagens, com a continuidade estrutural dela. Eu enchia o saco do Walcyr às vezes, quando achava que um capítulo não tinha o brilho que é próprio do Walcyr. Eu ajudava nos problemas de produção, na edição, quando o capítulo ficava grande. Tomando conta para que os ganchos não se perdessem, ou para que falas importantes não fossem cortadas. Eu era uma colaboradora que realmente colaborava. Porque eu não queria escrever a novela que não era a minha novela. Eu queria deixar o caminho livre pro Walcyr escrever melhor novela . Hoje eu estou do outro lado e espero dos nossos colaboradores exatamente isso. E temos muita sorte. Nossos colaboradores são os melhores que existem!!!
Como é a Thelma quando está trabalhando? Sua rotina muda em relação à família? (Wesley)
THELMA - Eu tenho a felicidade de ter total apoio do meu marido e das minhas enteadas (que são como filhas). Quando estamos no ar com alguma novela, a rotina é bem dura, eu fico 24 horas ligada no trabalho. Até dormindo eu sonho com a novela. Fico pendurada no computador, telefone, televisão. Quando trabalho em casa, o ambiente fica tomado pelo meu trabalho. Por isso mesmo, Duca e eu fazemos reuniões diárias num escritório fora de nossas casas, num escritório, num flat. Mas o que é bacana é que a minha familia compreende, respeita, incentiva, torce. E todos assistem religiosamente a novela que estou escrevendo. Meu marido, que é um intelectual e não assistia televisão antes, assiste tudo que eu faço, desde o primeiro programa infantil que eu escrevi.
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THELMA E DUCA
Como surgiu a dupla Duca e Thelma? (Vitor)
Thelma: O Walcyr Carrasco foi chamado para supervisionar o remake da novela O Profeta. E ele nos juntou para escrevê-la. O Walcyr é o culpado! RS
Duca: Coitado do Walcyr! Vai ter que espiar essa culpa pro resto da vida...
Vocês acham que esse esquema de parceria entre autores titulares pode ser uma nova forma de escrever novela num futuro próximo? Quais as maiores vantagens e desvantagens? (Wesley)
Thelma: Na criação não pode haver fórmula. A escrita em dupla, no mesmo pé de igualdade, com duas pessoas decidindo tudo, depende de uma sintonia muito grande, que não pode ser forjada. Ela existe ou não.
Duca: É isso aí. Podemos falar pela nossa experiência. No nosso caso, a gente tem se dado bem escrevendo juntas. Tem dado certo. Assim temos conseguido uma dinâmica que não sei se conseguiríamos sozinhas. Talvez sim, não sei... Mas acho que não é uma fórmula pra todo mundo não. E isso também não significa que a gente não possa trabalhar em separado, por um tempo. Pra depois se juntar de novo, rapidinho... (rsrsrsrs)
Até que ponto a supervisão de texto influencia no trabalho do autor? (Vitor)
Thelma: Se a supervisão influenciar, ela deixa de ser supervisão e passa a ser intromissão na obra alheia. O supervisor deve ser um apoiador, questionador, “alertador” para possíveis riscos que o autor está correndo. Pode e deve sugerir, mas sempre respeitando o universo e estilo do autor.
Duca: Pois é, o trabalho do supervisor é difícil porque tá nesse fio de navalha. O supervisor tem que se valer da experiência para te apontar falhas e dar dicas do que pode ser a melhor maneira de conduzir o trabalho. Mas tem que deixar que você escreva a sua novela. Não dá pro supervisor querer que você escreva a novela “dele”.
Como é a divisão de trabalho entre vocês e seus colaboradores? (Vitor)
Thelma: Nós duas costumamos nos reunir diariamente para bolar os acontecimentos da história e escaletar os capítulos. Os colaboradores escrevem as cenas. Depois uma de nós junta as cenas e faz uma edição (mudando, acrescentando, cortando). Em seguida, a outra lê e faz o texto final. Aí a gente manda pros colaboradores lerem, verem erros, fazerem criticas e darem ideias. Estamos sempre abertas para ouvir o que eles têm a dizer. Aproveitamos ideias. Às vezes, chegamos a reescrever, mudando o rumo das coisas por causa de uma sugestão ou crítica. Porque o que nos interessa é sempre o melhor produto.
Houve tentativas de emplacar sinopses de suas autorias antes de entrar para o hall de autores titulares da Globo? Receberam muitos “não”? (Wesley)
Thelma: Antes de O Profeta , a Duca era autora do Sítio do Picapau Amarelo. Já estava se aproximando dessa entrada no time de autores de novela. Mas eu confesso que não imaginava que isso pudesse acontecer tão logo pra mim. Por isso, apesar de ter escrito algumas sinopses pra minha gaveta, eu não as enviava para a direção, porque eu sabia que ninguém ia se interessar por elas ainda. A minha intenção era consolidar a carreira de colaboradora, para dar o próximo passo, no momento certo. O momento certo veio antes, naturalmente.
Duca: Eu já tinha sim, arriscado mandar algumas sinopses. Hoje posso avaliar melhor e saber que algumas precisavam ser retrabalhadas, talvez por isso não tenham sido aceitas. Mas valeu pelo exercício. E muitas das idéias daquelas sinopses podem ser reaproveitadas no futuro.
Como vocês, autoras dessa nova geração, veem a novela do futuro? Como seria a novela perfeita? (Wesley)
Thelma: Acho que a novela do futuro vai ter que se adequar às novas mídias que estão surgindo. Talvez mais curta, ágil e interativa. Mas acredito que esse gênero resistirá a todas as mudanças tecnológicas e comportamentais que estão por vir. Porque desde que o mundo é mundo, o homem adora e precisa de uma boa narrativa ficcional. Quanto à novela perfeita, ela não existe, porque não existe perfeição. Mas a “quase perfeita” é aquela que consegue se comunicar com o público, que entretém, emociona e, ao mesmo tempo, consegue introduzir o espectador no universo sublime da arte.
Duca: Acho sim que a novela vai ter que ser mais curta, mais ágil, interativa, com personagens menos maniqueístas. Mas a essência do folhetim deve permanecer. Quando a novela perfeita, eu só consigo me lembrar daquela música do Gil: “...a perfeição é uma meta, defendida pelo goleiro , que joga na seleção, e eu não sou Pelé nem nada, se muito for, eu sou um Tostão. Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão...” Emocionando e entretendo já tá muito bom!
“Cama de Gato” pode ser considerada como uma “prova de fogo” no intuito de avaliar a carreira de vocês duas na Globo? Tiveram algum receio de que o projeto não tivesse os resultados desejados pela empresa? (Wesley)
Thelma: Claro que, como nosso primeiro projeto original, a “Cama” acabou sendo um aval pra gente. Mas eu sempre confiei muito nessa história, porque ela estava calcado numa base humana, existencial forte e verdadeira. Nós duas tínhamos o que dizer e acreditávamos nisso. E eu não ficava pensando nos resultados, mas no processo. Quando eu trabalho, procuro me concentrar no que estou fazendo. Se vc faz o melhor que pode, vc precisa confiar e ir em frente, com entusiasmo e sem medo. Senão, melhor nem se meter a escrever a sinopse.
Duca: Claro que sempre dá um friozinho na barriga. Novela é um jogo. Por mais que você confie no projeto, há sempre o imponderável. E se você ficar pensando muito no que pode não dar certo, não consegue seguir adiante. Tem que ter uma história boa na mão, que tenha força, fôlego, verdade, e tocar o barco, com coragem, da maneira mais honesta possível, dando o seu melhor.
Vocês têm projetos para escrever em outros formatos como minisséries, especiais e seriados? (Wesley)
Thelma: Aos montes... rs
Vocês são noveleiras? Se, sim, quais as suas favoritas? Na opinião de vocês o que o gênero “Telenovela” representa em nosso país? (Vitor)
Thelma: Sou noveleira de carteirinha, desde que me entendo por gente. As favoritas são Beto Rockfeller, Roque Santeiro, Saramandaia, Irmãos Coragem, Pecado Capital, Dancing Days, Vale Tudo, Guerra dos Sexos... Ai, as minhas favoritas são tantas, que eu ficaria aqui o dia todo elencando... A novela de televisão é um gênero que está tão incorporado ao nosso universo, que é quase um patrimônio nacional. É um importante meio de informação e entretenimento para a população. E é uma expressão do imaginário popular brasileiro.
Duca: É isso aí! A Thelma disse tudo. Eu só acrescentaria que a telenovela brasileira é um gênero único no mundo. Ninguém faz telenovela como a gente. Eu também sou muito noveleira. Minhas favoritas são todas essas que a Thelma citou mais Gabriela, O Feijão e o Sonho, Top Model, Rainha da sucata, Nina, Bebê a Bordo, Uga-Uga.... Ah! São tantas...! Não dá pra falar de todas aqui.
Que dicas e conselhos dariam a jovens que aspiram a trabalhar na TV?(Vitor)
Thelma: Acho que a primeira coisa é ler muito, estudar e se preparar. E buscar uma avaliação imparcial de outros sobre sua real capacidade e talento. Não adianta a pessoa se achar um gênio. É necessário que haja o reconhecimento dos outros. A melhor maneira é fazer oficinas, cursos.
Duca: Ler, ver, ouvir, viver. Estar antenado às oportunidades de cursos e oficinas. Perseverança e uma boa dose de sorte também ajudam. No mais, é saber deixar o ego em casa na hora de ouvir as críticas. Televisão é um trabalhado de equipe. Todo mundo contribui, o diretor, o colaborador, o ator, o produtor... É importante saber ouvir e incorporar as boas idéias.
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Thelma Guedes por Duca Rachid (Vitor)
DUCA - Ah, a Thelma é minha melhor amiga. Minha parceira e agora minha comadre também, pois acabou de batizar minha filha. Eu tenho a maior admiração por ela, pelo talento, pela capacidade de trabalho e também pela sua conduta ética e moral. A Thelma é muito melhor do que eu como escritora. Eu tenho que quebrar muita pedra pra chegar lá. A Thelma não, ela é uma artista de verdade. Ela tem o chamado da arte dentro dela. Tem livros maravilhosos, que deviam ser mais conhecidos.
Duca Rachid por Thelma Guedes (Vitor)
Thelma- Uma irmã gêmea univitelina que caiu do céu (rs). A melhor parceira de trabalho que eu poderia ter (aliás, a única possível, porque eu sou uma chata de galocha e só ela pra me agüentar...). A Duca é um escritora com E maiúsculo: talentosa, iluminada, brilhante, entusiasmada, incansável. Eu tenho uma imensa admiração por ela. E o que a faz ser maior e melhor é justamente a simplicidade, a humildade, o desapego. Confesso que eu tenho muito o que aprender com ela. Mas um dia eu chego lá!
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Por:Vítor Santos e Wesley Vieira
Fonte:Blog 'Eu Prefiro Melão'
http://www.euprefiromelao.blogspot.com
Entrevista com Maria Adelaide Amaral, a autora da nova versão de Ti Ti Ti

Dois sucessos em um. Partindo desta premissa, Maria Adelaide Amaral escreve a nova novela das sete. O roteiro é baseado em clássicos da dramaturgia brasileira da década de 1980: Ti-ti-ti, também título do atual remake, e Plumas e Paetês - ambas escritas por Cassiano Gabus Mendes.
O encontro das duas tramas acontece em diferentes núcleos, entre eles, o da revista "Moda Brasil", comandada pela jornalista Suzana (Malu Mader). A redação é um dos cenários responsáveis por unir histórias até então desconexas, mas que se entrelaçam na Ti-ti-ti do século XXI. O resultado da mistura traz de volta às telas personagens antológicos como os estilistas Jacques Leclair (Alexandre Borges) e Victor Valentim (Murilo Benício).
O enredo é temperado por questões contemporâneas, como consumismo e bulimia, e outras que nunca saem de moda, entre elas, intrigas, suspense, mentiras e, é claro, muito humor. Confira abaixo entrevista com a autora da trama, Maria Adelaide Amaral.
Como iniciou o projeto de juntar esses dois sucessos da dramaturgia brasileira?
"Há três anos, quando me pediram que fizesse uma novela, eu disse que a única que teria vontade de fazer seria um remake de Ti-ti-ti com Plumas e Paetês, porque as duas tratavam do universo da moda."
A novela é uma maneira de homenagear Cassiano Gabus Mendes. Por que homenageá-lo neste momento?
"Ti-ti-ti foi uma das novelas mais divertidas de que tenho lembrança e porque seu autor é Cassiano Gabus Mendes. Ele me levou para a televisão em 1990 para escrever com ele Meu Bem Meu Mal. Cassiano escreveu algumas das mais notáveis novelas das sete e merece ser homenageado sempre."
Apesar de unir duas tramas, o nome escolhido para a novela é Ti-ti-ti? Por que não um terceiro nome?
"Na verdade, só vamos usar duas tramas de Plumas e Paetês. Em princípio pensamos em 'Plumas e Ti-ti-ti', mas a viúva do Cassiano (Gabus Mendes) bateu o martelo e nos aconselhou a usar Ti-ti-ti."
Ariclenes e Jacques Leclair
As características originais dos personagens serão preservadas ou modificadas?
"Na versão original, Jacques Leclair e Victor Valentim tinham seus ateliers nos jardins e atendiam a alta sociedade. No remake, o ateliê de Jacques Leclair fica no Jardim Anália Franco, no Tatuapé, e ele atende as emergentes da Zona Leste. O sonho dele, porém, é ter uma loja na Oscar Freire e chegar ao São Paulo Fashion Week.
Valentim, que deseja ser tão bem sucedido com seu inimigo de infância, Leclair, já abre seu ateliê nos Jardins e ambos entrarão numa disputa acirrada para vestir socialites e celebridades. No original, Jacques Leclair é um nome consolidado.
No remake, é um estilista de gosto duvidoso, que se beneficia do talento de Jaqueline (Cláudia Raia) para fazer seu up-grade. Ou seja, seus modelos tinham um bom corte, mas informações demais. Retirados os excessos, suas criações ganham em bom gosto e revelam sua essencialidade. Nesse momento seu estilo é um mix de Calvin Klein e Armani. Já Victor Valentim, que se inspira nos vestidos de boneca feitos por uma senhora que na verdade é a mãe de Jacques Leclair - desaparecida e desmemoriada -, apresenta-se com um estilo inspirado nos anos 50, mix de Dior, Nina Ricci e Balenciaga.
Quais são os pontos de encontro entre as duas novelas?
"Eles acontecem na (revista) 'Moda Brasil', na casa do proprietário da editora, na agência de modelos, no apartamento das modelos e na fábrica de Rebeca (Christiane Torloni)."
As duas novelas foram exibidas na década de 80. Neste remake, há uma atualização da história de acordo com a realidade do século XXI?
"Quando Cassiano Gabus Mendes escreveu Ti-ti-ti, a moda em São Paulo gravitava em torno de dois costureiros: Denner e Clodovil. Mas o universo da moda mudou tanto, que nem se usa mais a palavra costureiro, e sim estilista. Também nos anos 90 houve uma massificação e democratização na moda brasileira e os criadores voltaram-se preferencialmente para o Pret-à-porter (pronto para vestir). Por sugestão de Glorinha Kalil (especialista em moda), e para manter acesa a competição entre Jacques Leclair e Victor Valentim, resolvemos situá-los no segmento de vestidos de festa, noivas e madrinhas, que não conhece crise."
O encontro das duas tramas acontece em diferentes núcleos, entre eles, o da revista "Moda Brasil", comandada pela jornalista Suzana (Malu Mader). A redação é um dos cenários responsáveis por unir histórias até então desconexas, mas que se entrelaçam na Ti-ti-ti do século XXI. O resultado da mistura traz de volta às telas personagens antológicos como os estilistas Jacques Leclair (Alexandre Borges) e Victor Valentim (Murilo Benício).
O enredo é temperado por questões contemporâneas, como consumismo e bulimia, e outras que nunca saem de moda, entre elas, intrigas, suspense, mentiras e, é claro, muito humor. Confira abaixo entrevista com a autora da trama, Maria Adelaide Amaral.
Como iniciou o projeto de juntar esses dois sucessos da dramaturgia brasileira?
"Há três anos, quando me pediram que fizesse uma novela, eu disse que a única que teria vontade de fazer seria um remake de Ti-ti-ti com Plumas e Paetês, porque as duas tratavam do universo da moda."
A novela é uma maneira de homenagear Cassiano Gabus Mendes. Por que homenageá-lo neste momento?
"Ti-ti-ti foi uma das novelas mais divertidas de que tenho lembrança e porque seu autor é Cassiano Gabus Mendes. Ele me levou para a televisão em 1990 para escrever com ele Meu Bem Meu Mal. Cassiano escreveu algumas das mais notáveis novelas das sete e merece ser homenageado sempre."
Apesar de unir duas tramas, o nome escolhido para a novela é Ti-ti-ti? Por que não um terceiro nome?
"Na verdade, só vamos usar duas tramas de Plumas e Paetês. Em princípio pensamos em 'Plumas e Ti-ti-ti', mas a viúva do Cassiano (Gabus Mendes) bateu o martelo e nos aconselhou a usar Ti-ti-ti."
Ariclenes e Jacques Leclair
As características originais dos personagens serão preservadas ou modificadas?
"Na versão original, Jacques Leclair e Victor Valentim tinham seus ateliers nos jardins e atendiam a alta sociedade. No remake, o ateliê de Jacques Leclair fica no Jardim Anália Franco, no Tatuapé, e ele atende as emergentes da Zona Leste. O sonho dele, porém, é ter uma loja na Oscar Freire e chegar ao São Paulo Fashion Week.
Valentim, que deseja ser tão bem sucedido com seu inimigo de infância, Leclair, já abre seu ateliê nos Jardins e ambos entrarão numa disputa acirrada para vestir socialites e celebridades. No original, Jacques Leclair é um nome consolidado.
No remake, é um estilista de gosto duvidoso, que se beneficia do talento de Jaqueline (Cláudia Raia) para fazer seu up-grade. Ou seja, seus modelos tinham um bom corte, mas informações demais. Retirados os excessos, suas criações ganham em bom gosto e revelam sua essencialidade. Nesse momento seu estilo é um mix de Calvin Klein e Armani. Já Victor Valentim, que se inspira nos vestidos de boneca feitos por uma senhora que na verdade é a mãe de Jacques Leclair - desaparecida e desmemoriada -, apresenta-se com um estilo inspirado nos anos 50, mix de Dior, Nina Ricci e Balenciaga.
Quais são os pontos de encontro entre as duas novelas?
"Eles acontecem na (revista) 'Moda Brasil', na casa do proprietário da editora, na agência de modelos, no apartamento das modelos e na fábrica de Rebeca (Christiane Torloni)."
As duas novelas foram exibidas na década de 80. Neste remake, há uma atualização da história de acordo com a realidade do século XXI?
"Quando Cassiano Gabus Mendes escreveu Ti-ti-ti, a moda em São Paulo gravitava em torno de dois costureiros: Denner e Clodovil. Mas o universo da moda mudou tanto, que nem se usa mais a palavra costureiro, e sim estilista. Também nos anos 90 houve uma massificação e democratização na moda brasileira e os criadores voltaram-se preferencialmente para o Pret-à-porter (pronto para vestir). Por sugestão de Glorinha Kalil (especialista em moda), e para manter acesa a competição entre Jacques Leclair e Victor Valentim, resolvemos situá-los no segmento de vestidos de festa, noivas e madrinhas, que não conhece crise."
domingo, 11 de julho de 2010
Entrevista de Aguinaldo Silva para o Jornal da Mídia

Aguinaldo Silva começou a sua carreira de escritor ainda na adolescência, quando publicou seu primeiro romance. Em pouco tempo, ingressou no jornalismo, como repórter de polícia. Mas sua maior contribuição às letras deu-se, indiscutivelmente, na tv. Como autor de novelas, participou de alguns dos maiores sucessos do gênero, como “Roque Santeiro”, “Tieta” e “Senhora do Destino”. Aos 66 anos, recém-completados em junho passado, o autor mostra que está em plena forma. Além de continuar a escrever teledramaturgia, encontra disposição para passar a sua experiência de mais de 30 anos no ramo aos jovens roteiristas que participaram das duas master classes promovidas pelo autor, a última delas concluída em maio deste ano. No momento, Aguinaldo Silva está em Portugal, de onde concedeu a entrevista a seguir, por e-mail, na qual fala de ibope e da carreira de autor de novelas.
Jornal da Mídia - Como surgiu a idéia do Master Class?
Aguinaldo Silva - Eu já tinha feito uma primeira Master Class em Lisboa. Para mim foi uma experiência muito interessante trabalhar em outro país, com roteiristas que têm uma visão menos "exuberante", digamos assim, da profissão. No Brasil, durante um jantar com Jackeline Barroso e Eduardo Pires, no qual eu falava sobre essa experiência, eles perguntaram: "Por que não faz aqui?" Eu topei, e eles organizaram tudo. Fizemos a primeira, fizemos a segunda... E agora é possível que, a partir da terceira, haja uma emissora de tevê (ainda não posso dizer qual) envolvida com o projeto.
JM - Como avalia a experiência com as duas turmas?
AS - A primeira coisa a dizer é que existem grandes roteiristas à solta por aí, sem ter a menor oportunidade de trabalho. Alguns deles participaram destas duas Masters, e eu procurei encaminhá-los de algum modo. Cinco da primeira turma já foram contratados pela Rede Globo para
escrever comigo, como colaboradores, a novela "Marido de Aluguel", que foi criada durante o curso e comprada pela emissora.
JM - As novelas das oito estão registrando médias de audiência cada vez menores. A que o senhor atribui isso? Acha que é possível reverter esse quadro e, se sim, como?
AS - Não creio que algum dia se volte às grandes audiências. A última novela a quebrar recordes foi "Senhora do Destino", em 2004, e os números que ela atingiu (50.4 de média geral) estão cada vez mais inatingíveis. Não consigo encontrar uma explicação lógica para essa queda de audiência das novelas, já que os pontos que esta perdeu não foram redirecionados para outros programas. Há quem diga que as audiências continuam as mesmas, o que houve foi uma mudança de metodologia por parte do Ibope, mas não me sinto em condições de afirmar isso.
JM - Escrever telenovelas é um trabalho muito estressante sob vários ângulos. O que o motiva a continuar atuando nesse segmento aos 66 anos?
AS - Eu podia lhe dizer, bancando o arrogante, que o que me motiva é o salário imoral pago aos novelistas do horário nobre. Mas não seria verdade. O que me motiva é que eu adoro escrever, e adoro mais ainda escrever novelas. Ainda tenho muito que aprender nesse meu ofício, e o único meio de aprender é fazendo. Pretendo escrever mais duas novelas antes de me decidir pela aposentadoria. Mas, mesmo aposentado, sempre poderei ter uma recaída e voltar ao trabalho.
JM - Que qualidades deve possuir um bom escritor de teledramaturgia?
AS - A novela tem que obrigatoriamente "iludir" o telespectador, quer dizer, dar a ele a impressão de que o que se passa na novela é a mais pura realidade. Para isso, o seu autor tem que viver no mundo real, antenado em tudo o que se passa. Tem que ter também muita experiência de
vida, e é por isso que não existem autores jovens. Tem que ter muito talento, é claro, mas tem que ter, acima de todas as coisas, um senso muito rígido de disciplina, e esta é a qualidade mais difícil de alcançar.
JM - O senhor acredita que possa surgir, a curto ou médio prazo, algum nome tão bom neste ramo como o seu, o de Janete Clair ou de Gilberto Braga?
AS - Não acredito não, justamente pelo que falei anteriormente: os jovens de hoje vivem numa redoma e sabem muito pouco sobre a vida. Por mais talento que tenham, podem no máximo escrever livros de umas cento e poucas páginas em que recriam o não vivido. Mas não têm a menor
condição de escrever as 4800 páginas de uma novela.
JM - O senhor já se utilizou bastante do Nordeste dramaturgicamente. O que essa região do País tem de tão especial, a seu ver?
AS - O Nordeste é mágico, porque parece distante aos olhos dos outros brasileiros, mas ao mesmo tempo lhes é assustadoramente próximo. O Nordeste é o território no qual habitam todos os mitos brasileiros, e por isso, mesmo que alguém nunca tenha lá posto os pés, ao vê-lo
reproduzido na telinha é capaz de reconhecê-lo.
Jornal da Mídia - Como surgiu a idéia do Master Class?
Aguinaldo Silva - Eu já tinha feito uma primeira Master Class em Lisboa. Para mim foi uma experiência muito interessante trabalhar em outro país, com roteiristas que têm uma visão menos "exuberante", digamos assim, da profissão. No Brasil, durante um jantar com Jackeline Barroso e Eduardo Pires, no qual eu falava sobre essa experiência, eles perguntaram: "Por que não faz aqui?" Eu topei, e eles organizaram tudo. Fizemos a primeira, fizemos a segunda... E agora é possível que, a partir da terceira, haja uma emissora de tevê (ainda não posso dizer qual) envolvida com o projeto.
JM - Como avalia a experiência com as duas turmas?
AS - A primeira coisa a dizer é que existem grandes roteiristas à solta por aí, sem ter a menor oportunidade de trabalho. Alguns deles participaram destas duas Masters, e eu procurei encaminhá-los de algum modo. Cinco da primeira turma já foram contratados pela Rede Globo para
escrever comigo, como colaboradores, a novela "Marido de Aluguel", que foi criada durante o curso e comprada pela emissora.
JM - As novelas das oito estão registrando médias de audiência cada vez menores. A que o senhor atribui isso? Acha que é possível reverter esse quadro e, se sim, como?
AS - Não creio que algum dia se volte às grandes audiências. A última novela a quebrar recordes foi "Senhora do Destino", em 2004, e os números que ela atingiu (50.4 de média geral) estão cada vez mais inatingíveis. Não consigo encontrar uma explicação lógica para essa queda de audiência das novelas, já que os pontos que esta perdeu não foram redirecionados para outros programas. Há quem diga que as audiências continuam as mesmas, o que houve foi uma mudança de metodologia por parte do Ibope, mas não me sinto em condições de afirmar isso.
JM - Escrever telenovelas é um trabalho muito estressante sob vários ângulos. O que o motiva a continuar atuando nesse segmento aos 66 anos?
AS - Eu podia lhe dizer, bancando o arrogante, que o que me motiva é o salário imoral pago aos novelistas do horário nobre. Mas não seria verdade. O que me motiva é que eu adoro escrever, e adoro mais ainda escrever novelas. Ainda tenho muito que aprender nesse meu ofício, e o único meio de aprender é fazendo. Pretendo escrever mais duas novelas antes de me decidir pela aposentadoria. Mas, mesmo aposentado, sempre poderei ter uma recaída e voltar ao trabalho.
JM - Que qualidades deve possuir um bom escritor de teledramaturgia?
AS - A novela tem que obrigatoriamente "iludir" o telespectador, quer dizer, dar a ele a impressão de que o que se passa na novela é a mais pura realidade. Para isso, o seu autor tem que viver no mundo real, antenado em tudo o que se passa. Tem que ter também muita experiência de
vida, e é por isso que não existem autores jovens. Tem que ter muito talento, é claro, mas tem que ter, acima de todas as coisas, um senso muito rígido de disciplina, e esta é a qualidade mais difícil de alcançar.
JM - O senhor acredita que possa surgir, a curto ou médio prazo, algum nome tão bom neste ramo como o seu, o de Janete Clair ou de Gilberto Braga?
AS - Não acredito não, justamente pelo que falei anteriormente: os jovens de hoje vivem numa redoma e sabem muito pouco sobre a vida. Por mais talento que tenham, podem no máximo escrever livros de umas cento e poucas páginas em que recriam o não vivido. Mas não têm a menor
condição de escrever as 4800 páginas de uma novela.
JM - O senhor já se utilizou bastante do Nordeste dramaturgicamente. O que essa região do País tem de tão especial, a seu ver?
AS - O Nordeste é mágico, porque parece distante aos olhos dos outros brasileiros, mas ao mesmo tempo lhes é assustadoramente próximo. O Nordeste é o território no qual habitam todos os mitos brasileiros, e por isso, mesmo que alguém nunca tenha lá posto os pés, ao vê-lo
reproduzido na telinha é capaz de reconhecê-lo.
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