terça-feira, 14 de setembro de 2010

Joyce Ribeiro do Boletim de Ocorrências dá entrevista

Tire da cabeça a imagem de um homem à frente dos programas policiais, comentando cada fato com grande revolta na telinha. Joyce Ribeiro foge dos padrões e se distingue de apresentadores já consagrados no formato, como Marcelo Rezende, Datena, Ratinho e Reinaldo Gottino.

Joyce Ribeiro está prestes a completar um ano com seu "Boletim de Ocorrências"

Com 1,80m, a morena de 32 anos comanda o “Boletim de Ocorrências”, no SBT. A atração, que retrata a violência urbana, vai ao ar de segunda a sábado em duas edições. A primeira, das 19h05 às 19h30, e a segunda, das 22h15 às 22h20. Em outubro, a atração completa um ano de sucesso. Embora alguns sites divulguem que Joyce iniciou sua carreira no programa “Fantasia”, ela conta que desde seus tempos de estágio seu trabalho foi voltado para o jornalismo. “Eu nunca participei do 'Fantasia'. Nada contra, mas eu não fiz”, explica em seu camarim, em entrevista exclusiva ao iG/Babado.

Aos 21 anos, ela ingressou no canal 26 UHF. Lá teve a oportunidade de participar da produção, fazer reportagens e apresentar um programa de variedades e cultura. Em seguida, partiu para 29 UHF, canal em que apresentou pela primeira vez um telejornal. “Acho que foi nessa época que eu tive certeza de que queria fazer o jornalismo convencional”, conta ela, que dois anos depois embarcou para a Record.

Em 2005 trocou a emissora pelo SBT com Ana Paula Padrão, e a substituía em folgas e finais de semana na apresentação do “SBT Brasil”. Além disso, comandou também o “SBT Manhã”, hoje apresentado por Hermano Henning e por Analice Nicolau. Ela também já foi a “garota do tempo” nos jornais da emissora. Nesse período, por muitas vezes foi questionada nas ruas sobre o tempo que faria naquele dia. “Pior que perguntar é cobrar quando não foi tão exato. Os telespectadores ficam bravos”, se diverte ela.

Joyce Ribeiro: "Não acho que vou ficar o resto da vida sem voltar a fazer jornalismo de rua"

Você sente falta de ir para a rua fazer reportagens?
Eu gosto muito de fazer estúdio, mas a gente sente um pouco de falta também de ir para a rua. Dá uma saudade. Quando você está na rua, cada dia é um dia completamente diferente. Você tem que ficar preparada para tudo. A essência do jornalismo é a reportagem. Hoje eu aproveito ao máximo esse momento de apresentação, porque eu gosto muito e eu quis muito que isso acontecesse. Mas eu não acho que vou ficar o resto da minha vida sem voltar a fazer jornalismo de rua. Acho que nenhum apresentador hoje pensa isso.

Como é sua rotina no SBT, participa de toda a produção?
Ultimamente eu tenho chegado umas duas da tarde ou até antes. Aqui eu fico até a segunda edição do BO, que entra às 22h. Participo de toda a edição do jornal. Você tem que estar sempre por dentro de tudo. São muitos assuntos. Tenho que ler muito, ficar aqui de olho em todos os jornais, fuçando tudo, ficar em comunicação com os repórteres que estão nas ruas. É uma correria. Cansa, mas é emocionante.

O público está acostumado a ver homens fazendo jornalismo policial. Talvez você seja a única mulher comandando um programa como este. Sentiu ou sofreu algum preconceito por ser uma mulher à frente de uma atração com esse perfil?

O predomínio é masculino, né? Mas eu não tive nenhum preconceito por dois motivos. Como a violência está presente no jornalismo tradicional, não foi um choque para mim. Eu já estava habituada. É um assunto que toca muito o público e isso faz a gente ter mais noção da necessidade do programa. Estamos ali para ajudar na medida do possível, nem que seja para alertar. O que eu senti até hoje é que o fato de ser uma mulher falando, muitas vezes, faz com que a pessoa pare para pensar naquele assunto de uma maneira um pouco menos agressiva. Por mais que eu fique indignada, eu nunca vou validar a violência. Isso acaba quebrando um padrão.

Você começou a trabalhar com cultura e agora está em um policial. Sentiu alguma mudança em seu emocional?
Eu acho que é inevitável. Mexe, a gente fica mais atenta, mais ligada. Não diria que com medo, mas mais atenta. E outra coisa, eu fico no mínimo indignada. Eu não tenho essa preocupação de não me sentir mexida com os assuntos porque eu sou um ser humano. Eu tenho aprendido a lidar mais com isso. Não é um problema, mas te deixa muito mais indignada e mais sedenta de alguma coisa acontecer, porque assim não dá para continuar.

Joyce Ribeiro: "O brasileiro não tem essa disposição de abrir a vida como o americano"

Em março, você iniciou mais uma edição do programa. Considera isso um reconhecimento da empresa ou do telespectador?
Dos dois. Eu acho que o BO ganhou uma segunda edição por causa da relevância do tema, da preocupação das pessoas, da atenção das pessoas voltadas para essas notícias.

Quais são suas referências no jornalismo?
Ai, eu tive tantas... Quando eu era adolescente, gostava muito de assistir telejornais. E eu me lembro muito de voltar da escola e assistir o “Jornal Hoje” e acompanhar muito a Sandra Annenberg. Gosto muito dela, do jeito que ela fala. E foi uma referência pra mim. Fiquei muito empolgada com a possibilidade de trabalhar com a Ana Paula (Padrão). Aprendi muito, ela é excepcional jornalista. A Glória Maria também foi referência para minha vida profissional. Sem dúvida nenhuma eu me espelhei, e gostava muito do que ela fazia. São mulheres fortes, sem dúvida. O Carlos Nascimento também foi um que eu acompanhei muito a carreira, e tive oportunidade de apresentar o jornal várias vezes com ele. É muito gratificante.

Até onde você quer chegar no jornalismo? Sua meta seria, talvez, um programa de entrevistas?
Quando eu penso que queria ter um programa, tem tanta coisa que eu queria colocar que nem sei como chamaria. Entrevistas? Entretenimento? Jornalismo? Ia ser uma panela. Bota tudo lá e vê o que vai sair. Mas eu tenho essa vontade. Adoraria fazer alguma coisa nos moldes da Oprah (Winfrey). Lógico que o que a Oprah faz lá é de acordo com as características do povo de lá. A gente teria que fazer uma reformulação muito grande. Até quem ela entrevista... o brasileiro não tem essa disposição de abrir a vida como o americano. Lá têm vários programas sobre a vida do ator e eles expõem os piores momentos. O brasileiro não é assim. Nem o anônimo, quem dirá o famoso... São coisas que modificam um pouco o formato, mas eu tenho esse sonho. Sou fã da Oprah, sou suspeita para falar, e é outra referência forte. Você me pergunta onde eu quero chegar, eu quero chegar nesse ponto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário